No meio do caminho havia um Luxemburgo (por Zeh Augusto Catalano)

 

Fim de semana de eliminatórias. Vários jogos interessantes para serem vistos e outras peladas inaceitáveis sendo transmitidas. O Sportv teve a pachorra de transmitir Bélgica x Gibraltar, na quinta-feira. Um nove a zero muito equilibrado.

Hoje à tarde, me preparei para assistir a uma partida decisiva. A Hungria, em casa, precisava desesperadamente vencer Portugal para seguir com chances mínimas de ir à Copa da Russia. Durante um primeiro tempo pavoroso, a coisa mais interessante que aconteceu foi uma cotovelada desclassificante de um atacante húngaro no Pepe, o sanguinário beque português nascido no Brasil. Foi devidamente premiado com um vermelho da cor de sua camisa e liquidou ali as parcas chances de sua seleção.

Zapeei. Parei em França x Luxemburgo, só esperando para ver de quanto a França já goleava. Aparece o placar. Seis do segundo tempo, zero a zero. Resolvi assistir até onde ia aquilo.

Ia entrar para história.

Luxemburgo se fechou com duas linhas de cinco jogadores  na cabeça de sua área e na sua intermediária. A França, lotada de craques e certa da vitória contra um indigente do futebol, foi rodando bolinhas para os lados e fazendo cruzamentos inócuos. E o tempo passando. Deschamps, técnico dos Bleus, piorou a situação substituindo errado. Sacou a nova estrela do Barcelona, Mbappé, talvez o único que se salvasse do sapato alto. O jogo acontecia em Toulouse, longe de ser um grande centro do futebol. Ao perceber o que se passava, a torcida local, de muda, passou a cantar a Marselhesa, tentando chamar os brios do time pelo patriotismo. Não adiantou.

Luxemburgo fez uma partida impecável. Segurou a França na bola. Cometeu pouquíssimas faltas e não fez cera. Surpreendentemente, ao retomar a bola, contra-atacava consistentemente. No meio do segundo tempo, num lance em que seu melhor jogador, o número sete Rodrigues, entrava sozinho para marcar o gol, o bandeira assinalou um impedimento de ruborizar flamenguistas. Rodrigues, que fez um partidaço, nascido em Portugal, joga num clube de Luxemburgo e certamente vai aparecer rapidamente em algum clube maior, tal o nível de sua atuação. No final do jogo, passou em velocidade por dois marcadores e chutou uma bola na trave de Lloris.

Resumo da atuação de uma França surpreendida pela dificuldade que encontrou, durante os três minutos de descontos a França não conseguiu sequer cruzar uma bola na área ou chutar a gol. Final melancólico para a seleção da casa e início de uma grande e merecida festa da equipe visitante.

O futebol segue sendo o único esporte a dar chance a um adversário tão inferior. A bola pune o sapato alto. Não foi a primeira e nem será a última vez em que isso acontece. E a França, pode chorar lágrimas de sangue por estes dois pontos jogados no lixo. No Luxo.

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