Sobre a cultura da desonestidade (por Mauro Jácome)

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No último dia 25 de maio, a televisão mostrou a artimanha do técnico do Palmeiras, Cuca, para se comunicar com seu irmão – e assistente – à beira do campo. Cuca estava suspenso e não podia ficar no banco de reservas. Então, foi criado um sistema de comunicação entre o técnico, que estava numa cabine, e Cuquinha que comandava o time. Óbvio, sabiam que isso não era permitido. Óbvio, imaginaram que ninguém perceberia. Óbvio, tentaram tirar partido da situação. Depois de ser denunciado pelo STJD, soltou: “vai ver a gente ganhou o jogo por causa dessa m… que nem funciona”.

É lamentável essa mentalidade. O problema não é o ponto eletrônico ser o responsável pela vitória do Palmeiras. O resultado não está no centro da questão. O que está é o fazer o errado. Tivesse ganhado de dez ou perdido de vinte, o erro seria o mesmo. Qual a necessidade de tentar ludibriar todos os envolvidos no espetáculo? Engraçado que esse mesmo Cuca, recentemente, negou-se a continuar negociando com o Fluminense porque o clube mantinha contatos também com Levir Culpi.

A cada partida de futebol, temos inúmeros exemplos dessa mentalidade, quando os jogadores tentam enganar o árbitro ao se jogar, ao tocar a bola para fora e sinalizar que não o fez, ao fazer caras, bocas e gestos em infrações que todo mundo viu, inclusive o autor. O “roubado é mais gostoso” do goleiro Felipe foi mais um dos milhares de capítulos do livro que narra o perfil do caráter de significativa parcela do mundo do futebol. Eurico Miranda, Rubens Lopes, Ricardo Teixeira, Marco Polo Del Nero, entre muitos outros, reforçam a ideia das atitudes tortas.

Recentemente, foi a vez de Dunga ter sua dignidade questionada por ninguém menos do que Zinedine Zidane. O técnico da Seleção justificou a não convocação do lateral esquerdo do Real Madrid, Marcelo, numa contusão. No entanto, de imediato, o francês rebateu a afirmação chamando Dunga de mentiroso. Aliás, birra é típico do ex-capitão do time campeão da Copa de 94. Movido por sentimentos revanchistas, afasta da amarelinha qualquer um que ouse comentar algo. Rever ações que prejudicam o futebol brasileiro não entra na pauta desse pessoal.

O interessante é que esses atores – jogadores, técnicos, dirigentes – quando se sentem prejudicados, reclamam por justiça, questionam o caráter alheio, alguns enchem os olhos de lágrimas. É a visão de que somente os outros têm que ser honestos. Os problemas estão sempre nos outros. Pior que tudo isso faz escola, basta ver jogos entre os “subs”.

Seguindo a louvável linha da campanha iniciada após o assustador caso de estupro contra a menina no Rio de Janeiro, devemos clamar também, e sem a hipocrisia reinante no futebol, “pelo fim da cultura da desonestidade!”.

@MauroJacome

Imagem: ecodebate

Os subterrâneos do futebol (da Redação)

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Um documentário de 1965 que procura captar a vida do jogador de futebol, desde menino nos campos de pelada, até o fim da sua carreira, sempre efêmera.

Até então o cinema brasileiro ainda não tinha passado a visão real e cruel da trajetória do jogador. “Subterrâneos do futebol” pretende contrapor a ilusão da fama à incompatível condição para sobreviver depois dela, muitas vezes no ostracismo e até na decadência.

A direção é de Maurice Capovilla, com fotografia de Thomaz Farkas e Armando Barreto, mais a produção de Vladimir Herzog. Um timaço!

A história oficial (por Paulo-Roberto Andel)

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Não, não era para ser nada assim.

Nada disso.

Aí está o velho e querido America numa manhã de sol tímido, debaixo do tom preto e branco da foto, tirada pelo escritor Nelson Borges nesta quinta.

Em 1979, essa fachada significava o clube mais moderno do Brasil, erguido sobre o saudoso campo da rua Campos Sales. De saudade em saudade, o Diabo passou a jogar no Andaraí, Wolney Braune. E lá também a força da grana imperou. O sangue mudou de cidade – e não mais se encontrou, por mais que Edson Passos mereça o apreço.

De certa forma, essa linda fachada abandonada e vandalizada é uma espécie de símbolo desses tempos que vivemos: o Rio de Janeiro largado, indiferente, violento por todos os lados, caixa de percussão de um Brasil perdido, estuprado, alheio à maioria.

O America não é apenas o simpático segundo time dos cariocas que gostam de futebol. Ele é um dos pilares do esporte no Brasil.

Dia desses, num evento, tive a oportinidade de ouvir um breve discurso de um de seus dirigentes, falando das maravilhas contemporâneas produzidas recentemente pelo clube. Algo como tratar os interlocutores como perfeitos idiotas.

O America não é isso. Não é nem poderia ser um time de três rebaixamentos no campeonato carioca em dez anos. Mas aconteceu e aí está.

A triste imagem da fachada da sede de Campos Sales é a história oficial, bem distante da conversa para boi dormir de quem podia impedir isso mas, estranhamente, não o fez.

O America de Belford Duarte, de Pompéia, de Alarcón e também dos gêmeos Zó e Kel, de Moreno, Bráulio, Flecha, País, Ernâni, o incansável Luisinho Lemos, Edu, Romário e um milhão de glórias nos gramados.

Um dia tudo será diferente.

Gostaria de estar vivo para assistir.

Na modestíssima parte que me cabe, a de uma formiguinha diante do mundo, eu tentei ajudar, mas a ganância e a prepotência de terceiros brecaram tudo.

Vida que segue.

@pauloandel

Imagem: Nelson Borges

O imponderável (por Zeh Catalano)

Era uma noite chuvosa qualquer. Eu assistia distraidamente um jogo da segunda divisão paulista. O silêncio foi quebrado pela pergunta da minha mulher:

– O que é isso que a gente tá vendo?
– São Bento x XV de Piracicaba.
– E isso vale o que?
– Segunda divisão paulista.

Fui forçado a mudar de canal. No seguinte, uma luta de box. Nesse segundo, um lutador socou abaixo da linha de cintura do outro. Vaias. Parei pra ver. O homem se levantou enfurecido. Segundos depois, outro golpe. Mais vaias. O primeiro se contorce, demora, e levanta mais enfurecido ainda. Para surpresa minha e de todos, um terceiro golpe abaixo da linha de cintura do mesmo lutador faz o juiz encerrar a luta, desclassificando o agressor. O oponente, ainda no chão, não viu quando o seu corner inteiro pulava pra dentro do ringue e começava uma pancadaria generalizada. Umas quarenta pessoas dentro das quatro cordas se ensopapando com toda a vontade. Um espetáculo sensacional, inusitado e ao vivo.

O exemplo vem do boxe, mas o texto fala do futebol, por ser o único esporte em que times de nível muito inferior podem causar grandes dores de cabeça a um adversário superior. Não há emoção no confronto entre um poderoso e um fracote no vôlei, no basquete ou em qualquer outro esporte coletivo que não o futebol.

Minha mulher também parou pra ver o furdunço. Mas mesmo tendo sido capturada pela curiosidade, não cabe na cabeça dela – e da grande maioria das pessoas – assistir a um Vasco X CRB às sete e meia da noite de uma quarta-feira. É uma porcaria de um jogo com o CRB, um time lá de Alagoas. Um espetáculo desses não pode ter nada de interessante.

Uma noite, em 1984, eu assistia, pela tv, a Santos x Ferroviária de Araraquara, na Vila Belmiro. Tive a honra de assistir ao vivo a esta sequência impossível de defesas de Rodolfo Rodriguez, outro monstro uruguaio a agarrar por times do Brasil.

Lá se vão trinta e dois anos. E eu não esqueço.

Quem foi a São Januário na quarta-feira passada testemunhar a pelada entra Vasco x CRB tampouco esquecerá um obscuro jogo, no qual, perdendo o jogo e precisando do empate, o técnico Jorginho promoveu a façanha de substituir o centroavante do time – Thalles –  por um beque, Rafael Vaz, para espanto das sociais e dos telespectadores. Ao entrar em campo, O beque foi pro ataque. E o beque marcou um golaço no último minuto do jogo.

Outro jogo para a história. Daqueles que, por uns poucos lances, o vascaíno (por que não o amante de futebol?) vai se lembrar por anos.

Então, sugiro que você não olhe torto praquela aparente pelada num campo horroroso nos confins do Brasil. Algo inesquecível pode estar ali, prestes a acontecer. O imponderável.

 

Uma foto perdida no tempo (por Flavio Jacobsen)

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Toda vez que penso no Brasil, o país que poderia ter sido, o país que foi e o que é, me vem à mente a imagem de Juscelino Kubitschek reunido no Brasília Palace Hotel em 1958. Animada comitiva, vinda de um DC3 do Rio, cercava o presidente e ouvia de um rádio transistorizado com antena esticada no último, a final da Copa do Mundo entre Suécia e Brasil.

O presidente bossa nova parece incomodado na foto, de braço em riste como pedisse para pararem a algazarra, enquanto todos de braços erguidos comemoravam um dos gols do timaço de Pelé, Garrincha e companhia. É provável que ruídos de ondas curtas atrapalhassem a transmissão e a atenção do atento e desconfiado – como sói ao bom mineiro – JK.

Há algo perdido naquela foto. A começar pelo autor, até hoje desconhecido. Pode ter sido o tio do cafezinho.

A partir daquele ano o Brasil seria vanguarda diferenciada em diversos campos. No cinema novo, na música bossanovista, na literatura dos concretos paulistas, na arquitetura de Niemeyer, nas artes, teatro de arena e a partir daquele jogo, também nos esportes. Seria campeão de basquete, tênis, boxe e atletismo anos seguidos. Nelson Rodrigues versou que finalmente perdemos naquela tarde em Estocolmo (manhã no Brasil) o malfadado “complexo de vira-latas”.

Aquele país, em que pese a infraestrutura ainda de dar pena, por incrível, era cortado por trens de norte a sul. Gigante exportador de café e predominantemente agrícola, havia ainda muito mais Jecas Tatus que Haroldos de Campos, por óbvio, ao longo do extenso território. No meu delírio, é possível dizer que o Brasil não era nenhum Pelé. Era, vá lá, um Zito. Segurava a bronca lá atrás, e dava conta do recado e suporte ao primeiro mundo, este na linha de frente. Tudo com muita elegância, a bem da verdade. Quem viu Zito jogar, ou como eu apenas ouviu falar, sabe a que me refiro.

Como anos depois viria a observar Tom Zé, de forma extremamente charmosa, em muito pouco tempo o país deixou a condição mais baixa do universo civilizado, o de fornecer matéria prima, para o mais elevado: provedor de cultura. Era o país do futuro. Que coisa.

Penso sempre naquela foto. E junto com a lembrança da imagem vem a pergunta inevitável: onde foi que erramos? Algumas respostas surgem de imediato. Sem a ingenuidade da juventude já sabemos todos que, por exemplo, foi no período JK que o desmonte dos trilhos começou. O transporte por trens talvez seja o elemento mais estratégico da
infraestrutura de um país. Isso pra citar um exemplo, bastante pertinente quando vemos a influência das grandes empreiteiras do cimento no universo político da nação. Perdemos o trem, fomos de busão. Daí o atraso, os senhores nos desculpem.

Depois de alguns anos de confusão generalizada, todos sabemos o que aconteceu. A festa acabou. Veio a ressaca pesada do grande carnaval, em que heróis e vilões se revezaram no meio de uma passarela imaginária, agora emitindo seus rancores via planalto central. Anos de chumbo e tudo o mais.

Há algo mais perdido naquela foto. Um país que é apaixonado pela ficção novelística, a que muitos creditam o advento da televisão, em ledo engano. O brasileiro consumia vorazmente folhetins impressos desde o século 19, e as novelas de rádio paravam o país. “O Direito de Nascer” deu briga de família. Vizinhos se reuniam para ouvir a radionovela, vovó me contava. Livros e enciclopédias eram grandes fontes de renda, vendidas de porta em porta a uma classe média que crescia a olhos vistos, junto com as cidades. O Brasil das ondas de rádio está perdido naquela foto. Depois entregue aos raios catódicos, a paixão folhetinesca apenas continuou.

No hedonismo que se seguiu em décadas seguintes, Pelé se tornou o homem mais conhecido do mundo. Em processo inverso e misterioso, o país a que ele pertence foi sendo esquecido. Isolado por ditadura, quem sabe. Por acabrunhamento ou interesse que não nos ocorre.

Mas malandro é malandro e mané é mané. Olha nós aqui outra vez!

Voltamos no final do século. E dá pra dizer que reentramos muito bem, armados de guitarras elétricas e tambores de maracatu, reforçados por Romário, Ronaldo, Bebeto, Ronaldinho e Rivaldo. Deu pro gasto e ainda sobrou um tanto pra cachaça. Adentramos os aguardados anos 2000 triunfantes. Estamos aí.

Meu delírio termina aqui. Há outro processo turbulento nos ameaçando para o limbo de um período importante da História novamente. É por isso que não consigo deixar de pensar que há algo mais perdido naquela foto. Pode ser no gesto do presidente pedindo calma… calma.

Flavio Jacobsen é escritor e compositor. Autor de Uns Contos no Bolso (Kottrer Editorial, 2015). Artista de rock, canta e toca guitarra na banda Gruvox.

Mais sobre o futebol de praia (por Silvio Almeida e Paulo-Roberto Andel)

Imagens dos jogos Força e Saúde x São Clemente e Copaleme x Juventus, pelas semifinais do campeonato estadual de futebol de praia 2016, diretamente das areias de Copacabana no dia 14 de maio.

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Corrupção no futebol (da Redação)

Em 12 de outubro de 1979, a revista Placar batia de frente com a corrupção no futebol, misturada à política nacional e outras mazelas que, pelo visto, não sofreram maiores modificações nas últimas décadas.

É interessante notar boa dose de perenidade nas canetas certeiras de Juca Kfouri e João Saldanha, tudo dosado com finas ironia e humor.

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CINEFOOT 2016 em campo (da Redação)

A sétima edição do CINEFOOT – Festival de Cinema de Futebol – começa nesta quinta-feira no Rio de Janeiro, com atrações especiais e entrada franca, depois passando por Caté, Recife, São Paulo, Belo Horizonte e Vitória.

Uma fantástica oportunidade de testemunhar o encontro de duas artes, o cinema e o futebol, mas por diversas perspectivas de reflexão: a crítica social, a análise das épocas, um mergulho no caminho do esporte que leva a entender sociedades, comportamentos e fatos.

Visite aqui o site do CINEFOOT.

E a programação completa AQUI.

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Veja uma chamada de 2015:

E o documentário “Geral”, de Anna Azevedo, 2011.

Uma breve análise das equipes do Brasileirão (por Diogo Barreto)

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Hoje começa o Campeonato Brasileiro, o Brasileirão, a competição esportiva mais importante do nosso país. Serão sete meses, 380 jogos, e no final, um campeão e quatro rebaixados à Série B.

Então, preparei uma pequena análise das equipes que disputarão o campeonato.

América-MG – O título mineiro mostrou que o time não é tão fraco assim; pode almejar ir além da briga pela permanência na elite do futebol brasileiro.

Atlético-MG – É um dos postulantes ao título deste ano. Manteve a boa base do ano passado e vem apresentando o melhor futebol do Brasil em 2016.

Atlético-PR – Venceu o título paranaense e tem um bom time. Caso consiga ser forte em casa, e beliscar algumas vitórias fora, poderá brigar por uma vaga na Libertadores; caso contrário deve ficar no meio da tabela.

Botafogo – Possui um bom time e só. Seu elenco não dispõe de bons reservas, o que pode ser perigoso em uma competição tão exigente. Deve ficar na parte de baixo da tabela e manter-se na primeira divisão deve ser o objetivo. O que vier além disso é lucro.

Chapecoense – No último ano, o atual campeão catarinense escapou do descenso nas últimas rodadas e, para não passar sufoco desta vez, a Chapecoense vai precisar melhorar seu desempenho fora de seu estádio, onde geralmente consegue dificultar a vida dos favoritos. Deve ficar no grupo intermediário do campeonato.

Corinthians – O atual campeão perdeu sua espinha dorsal; decepcionou no Paulista e na Libertadores, sendo eliminado precocemente em ambas. A confiança reside na capacidade de Tite conseguir reconstruir seu time e lutar pelo bicampeonato nacional.

Coritiba – No ano passado, só se livrou do rebaixamento na ultima rodada. E neste ano, o Coxa deve mais uma vez, passar sufoco no Brasileiro, lutando pela permanência na divisão de elite do futebol brasileiro.

Cruzeiro – Começou muito mal o ano de 2016, trocou de técnico e vai recomeçar o trabalho com o português Paulo Bento. Mas ainda está atrás de seus principais concorrentes, o que pode deixá-lo de fora da luta pelo título. Mas é um dos postulantes a uma vaga na Libertadores de 2017.

Figueirense – A luta contra o rebaixamento deve ser a tônica do Brasileiro do Figueirense, que na última temporada se livrou da Série B somente no fim do campeonato. Vencer em casa é fundamental para fugir da parte de baixo da tabela.

Flamengo – Tem potencial para chegar à Libertadores do ano que vem, mas até o momento não mostrou qualidade para se credenciar como candidato à vaga. Se Muricy conseguir encaixar o time, aí o Flamengo poderá subir na tabela.

Fluminense – Sua situação se assemelha à do rival Flamengo, mas o Tricolor já está em um patamar melhor, com seu time mais acertado, dando ao seu torcedor, a esperança de ver seu time na Libertadores em 2017.

Grêmio – Roger Machado vai ter que fazer seu time apresentar o bom futebol que levou o Grêmio à Libertadores desse ano, pois até o momento, o tricolor gaúcho não mostrou potencial para repetir a boa colocação de 2015.

Internacional – Hexacampeão gaúcho, o Colorado dessa vez não começa o Brasileiro como um dos favoritos ao campeonato. O Internacional possui uma equipe bem estruturada, bom técnico, mas ainda falta qualidade à equipe para se posicionar no nível dos concorrentes à taça. Deve brigar pela vaga na Libertadores.

Palmeiras – O período de férias forçadas que teve pode ser determinante para Cuca acelerar a evolução do time – e colocá-lo em condições de igualdade com as principais equipes na luta pelo caneco.

Ponte Preta – No ano passado, a Macaca ficou pelo meio da tabela. A missão da equipe campineira é melhorar a posição do último ano e passar o Brasileiro sem sustos, se mantendo na Série A.

Santa Cruz – Impulsionado pelos títulos do estadual e da Copa do Nordeste, o Santa chega ao Brasileiro pensando ir além da briga pela permanência na primeira divisão. Para isso, o time aposta suas fichas em Grafite. Caso o atacante consiga fazer bons jogos, o Santa Cruz tem grandes chances de terminar o ano na parte intermediária da tabela.

Santos – Sem dúvida nenhuma, o Peixe tem qualidade suficiente para concorrer a uma das vagas na Libertadores do próximo ano. Para ter condições de ir além, depende da capacidade do Dorival Júnior conseguir fazer a equipe ir a um degrau acima de onde está hoje.

São Paulo – Depois de um início de ano oscilando entre boas e más atuações, o time do Morumbi parece ter encontrado o seu melhor futebol, o que credencia a equipe a, pelo menos, estar na briga pelo G4, mas em condições de voltar a ser campeão depois de oito anos.

Sport – Depois do sexto lugar no ano passado, o Leão da Ilha perdeu seus principais jogadores e hoje está atrás de seu rival local, o Santa Cruz. Portanto, dificilmente, a equipe este ano conseguirá repetir a boa campanha do ano passado; deverá brigar no máximo pelo meio da tabela.

Vitória – O rubro-negro baiano volta à Série A com o objetivo de se manter pelo meio da tabela e não passar apertos para permanecer na elite em 2017. Se a situação da equipe permitir, o Vitória poderá sonhar em rugir mais alto nesse Brasileirão.

@diogobarreto1

Os porões do futebol (da Redação)

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No programa SBT Repórter, apresentado por Roberto Cabrini em 13/06/2013, o perigoso universo do submundo do futebol.

Durante cinco meses, Cabrini investigou homens que se diziam empresários e agentes, mas que, na prática, em nome do lucro, montaram uma verdadeira fábrica de fraudes.

Escudos e famosos (da Redação)

Otto – Náutico

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Joanna Maranhão – Sport

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Zeca Baleiro – Maranhão

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Nathália Dill e Érica Mader – Botafogo

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Monarco – America

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Guta Stresser – Coritiba

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Cláudio Venturini – Cruzeiro

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Nasi – São Paulo

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Chorão – Santos

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Emerson Fittipaldi – Corinthians

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Renato Teixeira – Taubaté

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Ivete Sangalo – Vitória

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Nacional do Uruguai: dançar esse tango nunca foi fácil (por Thiago Constantino)

Um pouco de história, música e muito futebol

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Hola, estoy aqui “de boa”, solamente mirando mi decano querido y esperando por Boca Juniors

Semana passada, o PANORAMA DO FUTEBOL estava passeando pela bela capital uruguaia, justamente no dia anterior ao jogo de ida de Nacional x Corinthians. E como não poderia ser diferente: passeio é trabalho também.

Fomos à busca do Gran Parque Central, estádio uruguaio, para fazer algumas fotos e conhecer mais de perto o Club Nacional de Football. Já que o GPS do “coche” não ajudou muito, quase desistimos pela segunda vez de visitar esse mito do futebol ao passarmos direto pela entrada do Clube, quase sem perceber. Mas, fizemos o possível e sem pestanejar, viramos a primeira a direita com o objetivo de retornar. Ahh GPS infernal! A tentativa de retorno se mostrou quase frustrada, não fôssemos parar em uma rua sem saída, onde havia pequenos cones nas cores do clube, símbolos do clube pintados nos muros junto aos grafites e uma pequena pista de skate onde moleques chutavam uma pelota, mostrando que ali, no subúrbio da capital, no bairro La Blanqueada, o futebol ainda respira. E nessa respiração, sentimos o cheiro do gol mais perto.

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Buscando estacionar para visitar o clube, vislumbramos o acanhado estádio que se situa na rua logo atrás. Pronto! Missão dada, missão cumprida! E todo bom viajante, tem que contar com a sorte. As equipes de TV brasileiras estavam no estádio fazendo a cobertura do Corinthians na Libertadores e, com isso, os seguranças permitiram que fizéssemos algumas fotos no interior.

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Logo na entrada, uma demonstração da responsabilidade que é defender um clube de massa. Os torcedores deixam suas mensagens de força, apoio e também cobrança, em um painel. E curiosamente o termo em espanhol para designar os torcedores se chama “hinchas”. Este termo tem origem em um torcedor do Nacional que inflava seus pulmões para encher balões de gás em todos os jogos.

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No hall dos elevadores, a imagem do General Artigas e o motivo das cores do clube.  Naquelas redondezas, em 1811, Artigas foi nomeado o chefe dos orientais que conduziriam a independência uruguaia. O local era o rancho de Juana de Suarez, conhecida como “La Paraguaya”, daí as cores do clube, que também guarda semelhança com as cores das bandeiras dos 33 orientais.

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A origem do nome “Quinta de la Paraguaya”

Hora de acessar as arquibancadas! Bom, para quem conhece La Bombonera, no Caminito, podemos dizer que a impressão é a mesma. Ao adentrar as arquibancadas, a sensação de caldeirão que temos pela TV nos foi confirmada. Um estádio marcado na história, que foi reconhecido pela FIFA como o local da primeira partida de Copas do Mundo, em 1930.

E para nossa grande surpresa, adivinhe quem permanece desde 2013, sentado, observando seu “clube de coração”, conforme reza a lenda? Carlos Gardel, o “Zorzal Criollo”, ele mesmo. Derivado da grande disputa por sua nacionalidade, Gardel também gera disputa pelo seu time de coração. E nessa disputa, a estátua-homenagem feita pelo Nacional, até o momento, mostrou-se mais ousada.

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Matéria do “Marca” sobre a inauguração da estátua de Gardel

Matéria da Agência EFE: Gardel torcia pelo Nacional ou pelo Peñarol?

Orgulhando-se de ser o primeiro clube criollo da América Latina, o grande Nacional, ostenta também o tri da Libertadores da América e inúmeros títulos uruguaios, que lhe dão a alcunha de Rey de Copas. Mas o maior “título” para eles vem de mais uma polêmica e conturbada controvérsia com seus adversários. Quem é o Decano do futebol uruguaio? Para La Banda del Parque, não há dúvidas. Club Nacional de Football, fundado em 14 de maio de 1899.

Dentre os jogadores de grande destaque por lá, lembramos Recoba, Dario Pereira, Hugo de Leon, Lugano, Loco Abreu, Ruben Sosa, Rodolfo Rodriguez, e o, super-reconhecido por lá, goleiro Manga.

Seu maior ídolo foi Atilio Garcia, com cerca de 460 gols. No entanto, Abdon Porte ficou marcado na história por dar literalmente sua vida pelo time.

Por fim, fizemos um interessante registro de como a vizinhança está colada com o muro do estádio. Nele mora a certeza de que ao nascer, o pequeno uruguaio, já nasce com a pelota nos pés.

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Essa coluna vai ao ar nesta sexta-feira (06/05), após o jogo de volta pelas oitavas de final da Libertadores, propositadamente para que possamos refletir que o amor pelo futebol está além das quatro linhas. E para que os clubes brasileiros aprendam que é impossível ganhar fácil de um time de expressão uruguaio, seja onde for o jogo. Não sabemos onde o Nacional poderá chegar nessa Libertadores. Mas na noite passada, a tradição e a mística da camisa foram muito bem contadas e o tango uruguaio foi dançado ao som de Gardel.

Wikipedia: Carlos Gardel

O adeus de Orlando Abrunhosa (da Redação)

Um dos grandes fotógrafos do Brasil faleceu hoje: Orlando Abrunhosa.

Sobre ele, as imagens falam mais do que tudo.

ZICO NOVINHO

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Orlando Abrunhosa em entrevista a Mauro Ventura em O Globo: CLIQUE AQUI.

O documentário “Três no Tri”

Copa do México, 1970: Pelé faz o gol da virada contra a Tchecoslováquia, dando início à arrancada da seleção brasileira rumo ao tricampeonato. Orlando Abrunhosa imortalizou o feito na fotografia brasileira mais reproduzida mundo afora, mas esta não é a sua única façanha.

Direção e roteiro: Eduardo Souza Lima
Produção: Ailton Franco Jr.
Produção executiva: Anna Azevedo
Direção de produção: Daniela Santos
Fotografia e câmera: David Pacheco
Montagem: Eva Randolph
Som direto: Júlio Braga e Vampiro
Edição de som: Rodrigo Maia
Mixagem: Damião Lopes
Participações especiais: Evandro Teixeira e Walter Firmo

Prêmios:

Prêmio Edital RioFilme de Produção de Curta-metragem 2011
Troféu CINEfoot 2013 de Melhor Curta-Metragem
Mention d’Honneur da categoria Movies & Great Champions do 31º Milano International Ficts Fest

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“O verdadeiro torcedor”, uma crônica de Ivan Lessa (por Paulo-Roberto Andel)

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O verdadeiro torcedor não se dá a conhecer. Embora um conoisseur, prefere trabalhar – seu ofício é duro – em silêncio. Tem razão. Sua prática é feroz, exige disciplina e nem todos o compreenderiam.

O verdadeiro torcedor não pinta a cara ou qualquer outra parte de seu corpo, não veste a camisa de seleção alguma, não agita bandeiras, não ergue a voz em coro com outros. O verdadeiro torcedor é um animal pensante doméstico. Não vai aos jogos. Principalmente os da Copa do Mundo. Escolhe, no entanto, torneios importantes que propiciem amplo espaço na imprensa, televisão ou mesmo rádio.

O verdadeiro torcedor gasta seu dinheiro em jornais, publicações especializadas, cadernos em espiral e canetas esferográficas. E uma tesoura razoável. No seu quarto, um território proibido a estranhos, tem colado nas paredes tabelas coloridas e algumas fotos e recortes pregados com uma massinha azul que não deixa marca ou mancha. Na mesa de trabalho, ao lado do computador, o caderno de notas, a tesoura (“Recortar é viver”, este seu lema) e uma Bic, de preferência azul.

O verdadeiro torcedor passa entre 2 a 3 horas por dia folheando os jornais em busca de colunas relativas aos diversos jogos. Degusta análises, com ênfase naquelas que ousem previsões. Não são difíceis de encontrar: o peixe morre pela boca, o jornalista esportivo pelo texto. O verdadeiro torcedor passa pelo menos uma hora vendo e ouvindo, com atenção, as observações feitas pelos bem pagos comentaristas profissionais durante os intervalos e as versões compactas dos jogos da Copa. O verdadeiro torcedor ri fácil e, sério, toma notas.

O verdadeiro torcedor é um perfeccionista. O verdadeiro torcedor sabe, como os mais desbragadamente apaixonados, o nome e a ficha completa de jogadores mais populares como Cristiano Ronaldo, Messi, Robinho, Maicon, Eto’o, Casillas, Rooney e Dempsey, como também daqueles menos cotados, como Zigic, Özil, M’bohir, Yussuf e Park-Ji-Sung.

Até mesmo os técnicos não fogem a seus olhos dourados de atenção: Otto Rehhagel, Huh Jung-moo, Gerardo Mantino e Rajevac são magos feiticeiros de sua intimidade. O verdadeiro torcedor desconhece limites para o esporte das multidões em sua modalidade máxima, pois sabe de cor e salteado até mesmo o nome de todos os estádios sul-africanos, dos quais prefere citar, em voz baixa e a sós, como se recitando uma incantação, os de Koftus Versfeld, Peter Mokaba, Mbombela e o de Moses Mabhida.

O verdadeiro torcedor tem, por vezes, seus exageros, pois é humano, nada mais que humano. Saber uma linha do hino nacional da Argélia, sob qualquer ponto de vista, não deixa de ser levar a idiossincrasia a seus mais desvairados limites (É assim: Qassaman Binnazzilat Ilmahigat e quer dizer “Juramos pelo raio que destrói”).

O verdadeiro torcedor freme e goza de prazer é quando encontra, como foi o caso, um comentário-prognóstico de David Hytner, doGuardian, na mesma manhã em que, algumas horas depois, a Alemanha foi perder de 1 a 0 para a Sérvia:

“Joachim Löw revitalizou sua equipe (a alemã, frise-se) com uma abordagem técnica audaz, saudável e multicultural”. E, mais abaixo, “A formação por ele escolhida a dedo abunda com a exuberância e o frescor da juventude”. Assim prosseguiu o notável David Hytner, sem sequer esquecer do trema sobre o “o”de Löw, jabuzelando e vuvulanando por umas três colunas.

A Sérvia? Sob a batuta de Raddy Antic? A Sérvia definitivamente não estava à altura de conter as feras de Löw que, até então, já haviam desembestado ganhando de 4 (de quatro!) da – seria manhosa, David Hytner? – Austrália, orquestrada sob a batuta do – seria capcioso, David Hytner? – Pim Verbeek.

O verdadeiro torcedor, assim como quem não quer nada, quer tudo. O verdadeiro torcedor é pela zebra e o circo pegando fogo fora de campo. O verdadeiro torcedor pouco liga para milionários dando pontapés e estragando gramados.

O negócio do verdadeiro torcedor é ver os outros milionários, os da mídia, quebrando a cara. Momentaneamente, ao menos. O verdadeiro torcedor sabe que os outros torcedores, coitados, logo vão embora e de tudo se esquecer depois de cantarem seus estribilhos, soprarem nisso ou naquilo outro e voltar a esperar outros quatro anos..

O verdadeiro torcedor não carece de matéria. N’est-ce pas, cari amici italiani?

(Publicado originalmente na BBC Brasil em 21 de junho de 2010)

Um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos – e um torcedor fanático do Botafogo -, Ivan Lessa fez parte do grupo que colaborou e que, durante muito tempo, fez sucesso no jornal “O Pasquim”. Carioca, filho de Orígines Lessa e Elsie Lessa, escreve valendo-se de um humor cheio de ironias. Auto-asilado na Inglaterra, segundo ele por ter-se desencantado com o Brasil, trabalhava na BBC de Londres. Publicou em praticamente todos os grandes veículos da imprensa brasileira.

Ivan faleceu aos 77 anos, em Londres, onde vivia, em 09/06/2012.

Sobre Teixeira Heizer (da Redação)

teixeira heizer e maurício menezes

Da EBC – Douglas Corrêa/Jorge Wamburg

Morreu ontem (3), no Rio de Janeiro, o jornalista Teixeira Heizer, de 83 anos, após sofrer uma parada cardíaca, um dia após o lançamento do seu mais recente livro A outra história de cada um. Jornalista esportivo, começou no rádio, na década de 1950, e trabalhou nos últimos anos como comentarista nas transmissões de futebol e nos debates do canal SporTV.

Foi fundador da Rede Globo e se orgulhava de ter o crachá funcional número 01, como primeiro contratado da emissora. Trabalhou em vários veículos ao longo da carreira, também na televisão, e passou pelas redações dos jornais Diário da Noite, Diário de Notícias, Última Hora, O Dia,  PlacarVeja e por vários anos trabalhou na sucursal do Estado de São Paulo no Rio de Janeiro, além de ter sido gerente de Jornalismo da extinta Empresa Brasileira de Notícias (EBN) e da Radiobrás, nos anos 80.

Heizer foi ainda professor de Jornalismo da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Gama Filho. Ele escreveu dois livros sobre futebol, sua grande paixão: O Jogo Bruto das Copas do Mundo e Maracanazo – Tragédias e Epopeias de um Estádio com Alma, lançado em junho de 2010, contando suas memórias sobre a final da Copa do Mundo de 1950, no Rio de Janeiro, quando a seleção brasileira foi derrotada pela uruguaia, no Maracanã, por 2 a 1.

Ao Memória Globo, Teixeira Heizer lembrou que o apreço pela língua portuguesa era uma de suas principais marcas: “Sempre que eu escrevia [no jornal], eu prestava atenção porque alguém ia ler o que eu fizesse. Então eu construía o melhor para oferecer ao leitor. Até hoje, bate no meu ouvido: Ele tem o gosto pela frase”.

Primeiros passos

O primeiro trabalho no jornalismo foi na redação do jornal Correio Fluminense, em 1953. Um ano depois, já fazia parte da equipe de repórteres da Continental, emissora de rádio carioca cujo slogan era ser “Cem por cento esportiva”. No início da década de 1960, começou a trabalhar como comentarista esportivo na Rádio Globo, ao lado de profissionais como Waldir Amaral, Luiz Mendes e Raul Brunini.

Pela Globo, Heizer participou da cobertura da Copa do Mundo do Chile (1962), quando a seleção brasileira de futebol comandada conquistou o segundo título mundial. No ano seguinte, o jornalista fez parte da equipe que cobriu uma excursão da seleção brasileira pela Europa. Essa cobertura deu à Rádio Globo o primeiro lugar de audiência entre as emissoras cariocas na época.

Teixeira Heizer fez parte da equipe de profissionais que participaram da inauguração da TV Globo, em 1965, e foi contratado com o crachá número 01 da empresa. Heizer foi o responsável também pela criação dos primeiros programas esportivos da emissora, como o Em Cima do Lance e Por Dentro da Jogada. Fazia parte também do TeleGlobo e chegou a apresentar o programa ao lado da atriz Nathalia Thimberg e do locutor Hilton Gomes. O telejornal foi o primeiro a ser exibido pela emissora.

O jornalista será enterrado nesta quarta-feira (4) no Cemitério de Itaipu, em Niterói, região metropolitana do Rio, em horário a ser ainda definido pela família.

teixeira heizer livro

Do jornalista Fernando Brito, do blog Tijolaço

Eu poderia escrever sobre a importância de Teixeira Heizer no jornalismo esportivo, um dos pioneiros e mais independentes e apaixonados, como éramos nos anos em que o futebol era motivo de paixão.

Poderia escrever sobre sua importância para uma geração de companheiros teimosos, remadores contra a maré, na qual se incluem Juca Kfouri e José Trajano?

Escrevo, porém, sobre algo muito pessoal.

Quando me mudei para Niterói, construindo uma casa do nada, sem economias,Teixeira Heizer soube disso.

Por artes do destino, uma indenização trabalhista, se não me engano do Estado de São Paulo, havia permitido que ele comprasse uma pequena escola, o São Marcos, que sua mulher e seu filho Marcos – grande músico, já morto, agora – dirigiam.

Escola boa, aliás, muito boa, que acabaria sendo vendida para outro grupo educacional.

Teixeira queria porque queria que meus filhos estudassem lá, sem pagar.

Óbvio que não aceitei, mas ele então fez um desconto que tornou viável erguer casa e escola para os meus guris, sem que eu perdesse a vergonha na cara.

Homens bons morrem, que pena.

Leia também no blog de Marcelo Auler sobre Teixeira Heizer – http://www.marceloauler.com.br/teixeira-heizer-nos-deixa-o-jornalismo-esta-acabando-aos-poucos/

Diego Armando Maradona para todo o sempre (por Zeh Augusto Catalano)

Era um domingo qualquer de “Show do Esporte”, em 1985. A Band mostrava o campeonato italiano, e este era um jogo dos melhores. A Juventus, de Platini e Boniek, ia a Napoli encarar Maradona – que ainda não havia virado Deus – e seu time mediano que, anos mais tarde, conseguiria o tão esperado Scudetto. 

Mas o que há de tão sensacional nesse jogo? A falta, batida por Maradona, que o vídeo acima mostra. No gol estava Stefano Tacconi, uma lenda da Juventus, um monstro de goleiro. Lembro bem do lance, que já não era uma marcação comum da arbitragem. Dois toques dentro da área, a barreira montada em cima da bola. Não há espaço pra nada. Esse colherada (com a bola em movimento) por cima da barreira é uma das coisas mais inexplicáveis que já vi num campo de futebol. Eu (e o mundo) jurávamos que a bola seria batida do outro lado, pela absoluta impossibilidade de se fazer qualquer outra coisa. No entanto… O gênio fez isso ai.

É um troço tão sensacional, tão inacreditável, que eu estou aqui falando de uma falta, de um único toque, trinta anos depois.

Nunca mais vi nada parecido.

A tradução do título do vídeo: “Tanto faz, faço o gol assim mesmo”. Resposta a um companheiro de time que reclamava da barreira próxima demais.

Depois querem comparar brasileiros contemporâneos a ele…

 

Dinheiro de placa: a ascensão da Traffic no Brasil (da Redação)

Em 20 de abril de 1984, a revista Placar publicava excelente matéria de Moacir Japiassu sobre a ascensão da empresa Traffic no mercado da publicidade esportiva, liderada pelos jovens Ciro José e J. Hawilla – este, no ramo desde 1973.

 

TRAFFIC 1

TRAFFIC 2

TRAFFIC 3

Imagem: Nico Esteves e outros

Para mais informações sobre Ciro José, http://terceirotempo.bol.uol.com.br/que-fim-levou/ciro-jose-1787

Sobre J. Hawilla, http://oglobo.globo.com/esportes/j-hawilla-dono-do-nosso-futebol-2998400

Tiranias do futebol (por Thiago Muniz)

O futebol brasileiro parece imitar as ditaduras: desmandos, censura e às vezes até assassinatos.

O fato de ter sido um dos braços de sustentação da ditadura militar no Brasil – ainda que involuntariamente – contribui para que o futebol continue nutrindo resquícios daquele período?

Um terço dos presidentes de federações de futebol no Brasil está no poder há mais de 20 anos.

A falta de alternância nas posições de comando do esporte interfere diretamente em medidas autoritárias, como a recente “lei da mordaça”, no Rio de Janeiro?

Nos chamados “anos de chumbo”, a tirania jogou duro com atletas e torcedores que se rebelavam pelo futebol. De lá para cá, pouca coisa mudou.

As mãos que tapavam a boca dos jogadores de Flamengo e Fluminense num clássico em 2015, enfileirados no centro do gramado do Maracanã, tinham um alvo em comum. Três meses antes do protesto, a Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj) havia decretado a “lei da mordaça”. A entidade emplacou um artigo no regulamento do Campeonato Carioca proibindo atletas, treinadores e dirigentes de criticarem publicamente a competição.

dhavid normando fla flu 2015

Sintonia fina com o “padrão Fifa”, que havia imposto norma semelhante durante a Copa das Confederações em 2013 e na Copa do Mundo de 2014. “Vivemos um retrocesso”, disse à época Rodrigo Collodel, presidente da Frente Nacional dos Torcedores, movimento que cobra a democratização do futebol. “No tempo da ditadura, os estádios abrigavam as reivindicações que as pessoas não podiam fazer nas ruas. Agora estão se tornando ambientes higienizados e controlados por dirigentes.”

Repórter do diário Lance!, Bruno Cassucci sentiu na pele a ferocidade que torcedores habituaram-se a experimentar. Ele foi agredido por policiais militares quando cobria uma briga entre torcedores nas imediações da Vila Belmiro, em Santos, no fim do ano passado. As fotos que ele havia registrado da confusão foram apagadas de seu celular por um oficial. “Um PM (…) pegou uma bomba de efeito moral, puxou minha calça e a colocou dentro”, relatou. Ameaçado pelos policiais durante a abordagem, Cassucci contou que preferiu não fazer o reconhecimento dos agressores por medo de represálias.

bruno cassucci

Segundo relatório da Federação Nacional dos Jornalistas, pelo menos seis casos de violência envolvendo profissionais de comunicação em 2014 foram associados ao futebol. Todos eles seguem impunes ou mal resolvidos. A três dias do penúltimo Natal, o radialista esportivo Iran Machado foi executado com dez tiros na porta de casa em Itabaiana, interior de Sergipe. Apesar da suspeita de que alguma denúncia de Machado no rádio pudesse ter ocasionado o assassinato, e da prisão de Jefferson Chaves, o Bodão, principal acusado dos disparos, a polícia ainda não conseguiu esclarecer a motivação do crime. No mês anterior, o cinegrafista Jeferson Kickhofel registrava imagens de uma discussão na saída do gramado até ser abordado pelo diretor de futebol do Londrina, Alex Brasil. O dirigente tentou pegar a câmera de Kickhofel, que, em seguida, foi acometido por socos e chutes de outros membros da equipe.

Mentor da lei da mordaça, Rubens Lopes completa uma década na presidência da Federação do Rio de Janeiro em 2016. Reeleito por aclamação no ano passado, ele tem mandato até 2018. Seu antecessor, Eduardo Viana, que morreu em 2006, comandou a Ferj por quase duas décadas. No futebol brasileiro, 11 dos 27 presidentes das federações estaduais, que ajudam a eleger o comando da CBF, ocupam o cargo há mais de 20 anos. Quatro deles dão as cartas desde a época em que o país era governado pelo regime militar. Empossado na CBF em cerimônia fechada para a imprensa na manhã desta quinta-feira, Marco Polo Del Nero dirigiu a Federação Paulista por 12 anos. Tome Nabi Abi Chedid, Heleno Nunes e outros.

“A ditadura não inventou a cultura autoritária do Brasil, mas aprofundou-a e a expandiu para além da política. No futebol nacional, há a ‘cultura do mandonismo’. Dirigentes comportam-se como se estivessem administrando um negócio que lhes pertence, como uma fazenda”, afirma Adriano Codato, doutor em ciência política e professor da Universidade Federal do Paraná. Líder do Bom Senso F.C., que articula a inclusão da limitação de mandatos de dirigentes entre as contrapartidas da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte em tramitação no Congresso, Paulo André defende que “a alternância de poder é a pedra fundamental para o desenvolvimento do nosso futebol”.

Cartolas e seus mandatos intermináveis à frente de clubes e federações. Desmandos e monopólio de poder da Confederação Brasileira de Futebol. Censura e repressão nos estádios.

Não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito entre esses dois fenômenos. Os traços autoritários e, mais do que isso, arbitrários e despóticos presentes no futebol, seja na prática de juízes, seja na de dirigentes e técnicos, têm mais a ver com a cultura autoritária do país. Essa cultura a ditadura não inventou, mas a intensificou e expandiu para além da política. No futebol nacional, há a cultura do mandonismo: segundo o raciocínio das torcidas e de parte da crônica esportiva, o capitão deve mandar no time, o técnico no capitão (e, por extensão, em todo o time), o diretor de futebol no técnico e o presidente no diretor. Não é propriamente uma cadeia racional de comando, mas uma estrutura hierárquica, parodiando a estrutura militar (daí as metáforas “capitão”, “comandante”, etc.), que só se justifica em função dos caprichos daquele que pode mais nessa relação perversa. Com isso, quem se engana é a torcida, porque lhe contaram que ela é o patrão máximo do clube.

Esse é um efeito da cultura autoritária e da sua representação política no futebol, o mandão local. Pode ser o chefe de uma facção de torcida organizada, o dirigente sabe-tudo, o presidente do clube ou da Federação. Os dirigentes comportam-se como se estivessem administrando um negócio que lhes pertence, como uma fazenda. Isso ajuda a explicar comportamentos como os do “coronel” Eurico Miranda, do “coronel” Mario Celso Petraglia, do “coronel” Marin.

Manifestações de pessoas vestidas com camisas da seleção e bandeiras do Brasil, que pedem a volta da ditadura, se encaixam nesse contexto? No Brasil, há um fenômeno sintomático e contraditório em curso. Ele pode ser visto nas passeatas que exigem a destituição da presidente eleita em 2014. A contradição mais óbvia é protestar contra a corrupção fantasiado com a camisa da seleção da CBF.

Existe também um fenômeno que não se via desde os anos 1970: a identificação da seleção brasileira, das suas cores, da sua simbologia, com o Brasil. Como se o país se reduzisse a isso ou se essa fosse sua melhor expressão. Esse orgulho nacionalista surge, paradoxalmente, num momento em que não há muito do que se orgulhar em termos futebolísticos. Essa é a segunda contradição.

Por fim, não deixam de ser sintomáticas as manifestações autoritárias contra as regras do jogo e, consequentemente contra a democracia, desde o amaldiçoamento de “comunistas” até a representação da CBF como o máximo de brasilidade possível. A entidade pouco se importa com algo que não tenha a ver com seu lucro, que está longe de semear benefícios diretos aos clubes de futebol no país.

Fonte: Revista Placar, Jornal Lance e Bom Senso FC.

Imagem: Dhavid Normando

Bota ponta, Telê! (por Zeh Augusto Catalano)

Ano de 1982.

Engana-se quem pensa que a tão famosa seleção de Telê Santana era unanimidade.

Antes de ter esse programa de entrevistas no fim das noite, Jô Soares era um dos melhores humoristas do país. Ele comandou, por muitos anos, um programa humorístico chamado “Viva o gordo” – depois “Veja o gordo”, no SBT. Entre as dezenas de personagens, o “Zé da Galera”, este, do vídeo acima. Era um personagem fixo do programa. Ou seja, toda semana havia um quadro novo. O quadro consistia de um telefonema, de um orelhão, do cidadão comum para Telê Santana, técnico da seleção brasileira. Toda semana, o Zé reclamava da atuação da seleção, de algo relativo à escalação do time e,  principalmente, da completa ausência de pontas entre os 22 convocados da seleção.

O resultado final da seleção de 1982 todos conhecemos.

Não me lembro (tinha onze anos na época e, como o programa era noturno, nem sempre o assistia) como terminou a personagem. Nas minhas buscas na internet, achei vários textos, todos apontando para este exato vídeo. E uma entrevista do autor da personagem, realizada durante a Copa seguinte, de 86, na qual o Brasil foi comandado pelo mesmo Telê.

jo86

A entrevista completa pode ser lida aqui.

Nessa época, a seleção era algo bem próximo do povo. Jogava no Brasil, com jogadores do Brasil. Havia até bairrismo, com a imprensa de São Paulo escovando os cariocas e vice-versa. Tudo isso acabou. Pelo menos no atual estado das coisas.

A teimosia de Telê é famosa. Quanto de influência teve nas derrotas de 82 e 86? Bom tema para uma pesquisa mais aprofundada. Volto a esse assunto em breve.