França, a fera do São Paulo

Entre 1996 e 2002, França foi a referência do ataque são paulino. Pelo Tricolor do Morumbi, ele conquistou os Campeonatos Paulistas em 1998 e 2000, além de ser campeão dou Torneio Rio-São Paulo em 2001. Rápido, preciso e com finalizações perfeitas.

Quinto maior artilheiro da história do São Paulo, França marcou 182 gols em 327 jogos pelo clube. Somente Serginho Chulapa, Gino Orlando, Luis Fabiano e Teixeirinha o superam na lista dos maiores goleadores do SPFC.

Veja muitos gols de França no vídeo abaixo.

Fora de campo – o futebol como ele é (da Redação)

O futebol tinha tudo para ser um dos maiores meios de inclusão social mas infelizmente encontra-se o oposto dessa possibilidade por ser um dos meios mais vil e excludente mas paradoxalmente continua apaixonante e cada vez mais com adeptos e seguidores (torcedores) pelo mundo.

O documentário “Fora de Campo” produzido pelo SESCTV mostra essa crua realidade, onde a paixão e sonho de ser jogador de futebol é usada para alimentar o grande negócio que o futebol tornou-se. Um filme de Adirley Queiroz e Tiago Mendonça.

Ambientado na segunda divisão do Distrito Federal, o documentário trata do proletariado do futebol, enfocando um jogador em atividade, Maninho, personagem mais forte e complexo, mas também outros já aposentados. Um deles fez carreira na Grécia, outro foi ídolo do Vila Nova, há os que vagaram, clube em clube, raros com alguma expressão. Não estão em jogo os gols, os lances ou a mitologia dos boleiros. Está em campo, exatamente, o trabalho. Não sem sonhos. Não sem memórias. Não sem orgulho de conquistas e lutas que, talvez pequenas para nós, são a fonte da vida para eles. A utilização do título é cinematográfica e futebolística. O fora de campo no cinema é um conceito que extrapola a noção de fora de quadro (ainda parte do campo), pois, para além de se relacionar com o não-visível, leva em conta aspectos da ordem do mundo extra fílmico. No futebol, seria quem está de fora, não apenas das quatro linhas, mas da imagem do futebol.

Lançamento do livro tricolor ameaçado de destruição na Justiça (da Redação)

Nesta terça-feira, dia 14/11, o escritor Paulo-Roberto Andel realiza uma noite de autógrafos de seu livro “Duas vezes no céu – os campeões do Rio e do Brasil”.

A obra se refere à trajetória vitoriosa do time do Fluminense em 2012, quando conquistou o campeonato carioca e o tetracampeonato brasileiro.

Desde 2014, o livro sofre um processo judicial que chama a atenção pela brutalidade desmedida: um funcionário do Fluminense, Nelson Nunes Peres do Santos, vulgo Nelson Perez, entrou com uma ação requerendo R$ 50.000,00, a busca, apreensão e DESTRUIÇÃO de todos os exemplares de “Duas vezes”, alegando que o autor da obra manipulou uma foto que seria de sua autoria e exclusivamente sua. No entanto, Nelson omitiu seu vínculo empregatício para a Justiça: é funcionário CLT do Fluminense e, pela Lei Pelé, o titular dos direitos patrimoniais de qualquer foto tirada em campo é o Fluminense. Não bastasse isso, o funcionário cometeu uma atitude hedionda, que é a ambição pela destruição de livros, sem contar o pedido de Justiça gratuita que fez, alegando ser fotógrafo freelancer, ganhando apenas R$ 1.500,00 mensais.

O escritor foi contratado pela editora e, por isso, não teria como fazer qualquer manipulação, dado que tinha um contrato para ceder seus originais e, em troca, receber 10% do preço de capa de cada exemplar. A editora assumiu toda a produção e contratou o artista gráfico Guis Saint-Martin, que fez uma aquarela inspirado numa bandeira de torcida organizada.

Em outubro passado, o Fluminense entrou na Justiça requerendo a condição de assistente do escritor e de sua editora à época, a 7Letras, na direção contrária de seu funcionário e afirmando categoricamente que, além de ter realizado a ação com meio ilícitos, não comunicou o clube, que é o proprietário da foto. O caso está na 15ª Vara Cível da Cidade do Rio de Janeiro.

Paulo é um dos escritores de futebol mais publicados sobre um clube no Brasil. Entre autorias e coautorias, publicou onze livros sobre o Fluminense. Há dias, disponibilizou gratuitamente seus livros “Roda Viva” – volumes I e II NESTE LINK.

 

LANÇAMENTO DO LIVRO “DUAS VEZES NO CÉU”

PAULO-ROBERTO ANDEL

TERÇA, 14/11 – A PARTIR DAS 18:30 H

CASA VIEIRA SOUTO – PRAÇA DA CRUZ VERMELHA, 9 – CENTRO – A 20 METROS DO INCA (ESTACIONAMENTO A 100 METROS, NA RUA HENRIQUE VALADARES, 71)

140 PÁGINAS

PREÇO: R$ 25,00 (SÓCIOS DO CLUBE TÊM DESCONTO de 20%)

 

Campo Grande, campeão da Taça de Prata de 1982 (da Redação)

Era tudo muito diferente há 35 anos atrás. As séries A e B do campeonato brasileiro eram interligadas, de modo que dois times tinham acesso direto no mesmo ano, através da disputa por fases. Quem não subia para a Taça de Ouro tinha a chance de vencer a Taça de Prata, e o Campo Grande a conquistou de forma gloriosa. Foi o último título do clube, que hoje luta pela sobrevivência.

Neste 13 de junho o Campo Grande completa exatos 77 anos. Que venham muitos outros pela frente,

Da página Memórias do Futebol Carioca, reproduzimos a publicação abaixo:

Títulos Inesquecíveis – Campo Grande, campeão da Taça de Prata de 1982. Pedido feito por: Igor Lima.

O Campo Grande, pequeno e tradicional clube do Rio de Janeiro, sagrou-se campeão da 3ª edição da Taça de Prata (a 5ª edição do Campeonato Brasileiro da 2ª Divisão) em 1982, o seu maior título conquistado até hoje.

Esta edição teve a participação de 48 equipes de todo o país, que totalizaram 362 gols em 133 jogos, com uma média de 2,72 gols por partida. O torneio concedia 4 vagas aos vencedores da 2ª fase para a série A do mesmo ano (a Taça de Ouro), onde subiram o América-RJ, o Atlético-PR, o Corinthians-SP, e o São Paulo-RS, que por isto mesmo não participaram das fases finais desta competição.

Os 4 cariocas que disputaram o torneio:

• América F.C.
• Volta Redonda F.C.
• Campo Grande A.C.
• Americano F.C. (Olaria A.C., que havia se classificado na Taça de Bronze de 1981, teve que ceder a sua vaga ao time de Campos por ter sido rebaixado no Campeonato Carioca de 1981)

Nesta época, o Campusca vivia uma de suas melhores fases, com os bailes e as piscinas sempre cheias, assim como a arquibancada do estádio Ítalo del Cima. Inaugurado em abril de 1960, o maior patrimônio do Galo da Zona Oeste, como também é chamado, foi construído em um terreno doado pela família Del Cima. A decisão da Taça de Prata, em abril de 1982, contra o CSA de Alagoas, marcou a história do estádio. O time havia perdido o primeiro jogo, em Maceió, por 4 a 3, e vencido o segundo, em casa, por 2 a 1. Assim, houve a necessidade de uma terceira partida, e, por ter a melhor campanha, o Alvinegro voltou a jogar em seus domínios. E desta vez, diante de 16.842 torcedores, não deixou dúvidas de que merecia a faixa de campeão ao golear o rival por 3 a 0 e encerrar a competição com 78% de aproveitamento, obtidos com 11 vitórias, três empates e apenas duas derrotas em 16 jogos. Décio Esteves comandou o time na conquista.

O time-base era formado pelos seguintes jogadores: Ronaldo, Marinho, Pirulito, Mauro e Ramírez; Serginho, Lulinha e Pingo; Tuchê, Luisinho das Arábias e Luís Paulo. O artilheiro da competição foi Luisinho das Arábias, do Campo Grande, com 10 gols. Além disso, vale frisar que o Campo Grande teve o melhor ataque da competição, com 39 gols.

Estatísticas do Campo Grande:

• 16 Jogos
• 11 Vitórias
• 3 Empates
• 2 Derrotas
• 39 Gols Pró
• 13 Gols Sofridos

Campanha:

1ª Fase
24/01, Campo Grande 2×0 Americano (Ítalo del Cima)
28/01, Campo Grande 3×0 Portuguesa (Ítalo del Cima)
31/01, Uberaba 1×1 Campo Grande (João Guido)
03/02, América-MG 0x2 Campo Grande (Independência)
07/02, Campo Grande 3×1 Comercial-MS (Ítalo del Cima)

2ª Fase
17/02, Campo Grande 2×2 Volta Redonda (Ítalo del Cima)
20/02, Atlético-PR 2×1 Campo Grande (Couto Pereira)

Oitavas-de-Final
27/02, Goiás 0x0 Campo Grande (Serra Dourada)
06/03, Campo Grande 4×0 Goiás (Ítalo del Cima)

Quartas-de-Final
14/03, River-PI 2×3 Campo Grande (Albertão)
20/03, Campo Grande 4×0 River-PI (Ítalo del Cima)

Semifinais
28/03, Campo Grande 4×0 Uberaba (Ítalo del Cima)
04/04, Uberaba 0x2 Campo Grande (João Guido)

Finais
11/04, CSA 4×3 Campo Grande (Rei Pelé)
18/04, Campo Grande 2×1 CSA (Ítalo del Cima)
20/04, Campo Grande 3×0 CSA (Ítalo del Cima)

Dados sobre o última partida:

Data: 25/04/1982
Local: Estádio Ítalo Del Cima (Campo Grande AC)
Ãrbitro: Airton Domingos Bernardoni (RS)
Auxiliares: Valdir Luís Louruz (RS) e Sílvio Luís de Oliveira (RS)
Cartões amarelos: Luisinho (CGAC), Américo e Jerônimo (CSA)
Renda: Cr$ 4.858.200,00
Público: 15.567 pagantes

Campo Grande: Ronaldo; Marinho, Pirulito, Mauro e Ramírez; Serginho, Lulinha, Pingo (Aílton); Tuchê, Luisinho e Luís Paulo; Técnico: Décio Esteves

CSA: Joseli; Flávio, Jerônimo, Fernando e Zezinho; Ademir, Zé Carlos (Josenílton), Veiga; Américo (Freitas), Dentinho e Mug; Técnico: Jorge Vasconcellos

Gols: Luisinho aos 30′ e 60′ e Lulinha aos 44′

Mais informações sobre a competição aqui:

http://www.rsssfbrasil.com/tablesae/br1982l2.htm (em inglês)

Foto: Equipe do Campo Grande, campeã da Taça de Prata de 1982.

Acervo: http://anotandofutbol.blogspot.com.br/. Fontes: Globoesporte.com, Wikipédia, http://colunasports.blogspot.com.br/, http://campograndeac.no.comunidades.net/ e http://www.bolanaarea.com/.

@campuscaoficial

Mais bagunça das Copas União: 1987/1988

Campeão do campo, campeão do jogo, campeão sem cruzamento, campeão moral, briga na Justiça, decisão do STF… sobre a Copa União de 1987, muito já foi dito.

Quase 30 anos depois de seu conhecido imbroglio, há quem bata no peito e ateste a verdade.

O curioso é que, no dia da decisão do Módulo Verde entre Flamengo e Internacional, nem mesmo jornalistas do Rio de Janeiro, palco da batalha final, tinham absoluta certeza sobre o desfecho da competição.

De São Paulo, idem.

Jornal do Brasil, 13/12/1987 – capa

Jornal do Brasil – 13/12/1987 – Página 62


Folha de São Paulo, 14/12/1987 – capa

Folha de São Paulo, 14/12/1987 – Capa

Jornal do Brasil, 08/02/1988 – Caderno de Esportes

Então viria a segunda Copa União em setembro de 1988. E quem disse que haveria paz no futebol brasileiro?

Folha de São Paulo, 03/09/1988 – Caderno de Esportes

Folha de São Paulo, 03/09/1988 – Caderno de Esportes

Folha de São Paulo, 03/09/1988 – Capa

 

 

 

Dadinho e Alcino, reis do Remo (da Redação)

Alcino e Dadinho

Dadinho, com 163 gols é o maior artilheiro da história do Clube do Remo, e três vezes artilheiro do campeonato paraense.

Paulista, começou a carreira no Itabuna, no anos de 1978, tendo defendido diversos outros clubes em sua carreira: Saad-SP, Santa Cruz, o extinto Pinheiros (hoje Paraná Clube), Inter de Porto Alegre, Ceará, ABC e Paysandu.

A história de Dadinho também é marcada no grande rival do Remo, o Paysandu: ele foi o autor do gol do título brasileiro do Papão na Série B em 1991.

Em 2011, o artilheiro morava em Indaiatuba-SP com a esposa e dois filhos, trabalhando fora do futebol, numa concessionária de veículos, na parte de monitoria do sistema de câmeras de segurança da loja.

O segundo maior artilheiro da história do Remo é o carioca Alcino “Motora” (Alcino Neves dos Santos Filho), com 158 gols. Começou no Madureira, depois também atuando pela Portuguesa de Desportos, Grêmio, Atlético Goianiense, Bangu, Rio Negro-AM, Internacional de Limeira e Pinheirense-PA. Foi tricampeão paraense entre 1973 e 1975.

Vindo de uma juventude difícil, chegando mesmo a ser preso e condenado no Rio de Janeiro, Alcino ganhou a torcida azul por sua garra, irreverência e pelo estilo que depois seria conhecido anos depois por bad boy. Faleceu em 2006, numa situação muito difícil na cidade paraense de Ananindeua, onde morava de favor em um sítio.

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Ói o Trem! (da Redação)

 

Fundado em 01 de janeiro de 1947 pelos ferroviários Bellarmino Paraense de Barros, Benedito Malcher, os irmãos Osmar e Arthur Marinho, Walter e José Banhos, além de outros, o Trem Desportivo Clube é um dos alicerces do futebol do Amapá.

Tendo sua sede situada num dos mais importantes bairros de Macapá, a capital do estado, o Trem Desportivo Clube já foi por duas vezes campeão amapaense. E também tem uma longa história no antigo Copão da Amazônia, tendo sido pentacampeão de 1985 a 1989.

O nome do clube  é uma homenagem ao bairro onde foi fundado, bem como a profissão exercida por seus fundadores, todos eles ferroviários. Este, por sua vez , recebeu o nome no início do século XIX. Naquela época, foram encontrados na Avenida Feliciano Coelho de Carvalho vestígios de alguns trilhos de trem que possivelmente serviram como meio de transporte do material para a construção da cidade.

Sobre o bairro do Trem – CLIQUE AQUI.

Momentos de dificuldade e superação – CLIQUE AQUI.

Ouça o hino do Trem:

Os clássicos cariocas precisam ser valorizados (por Paulo-Roberto Andel)

Hoje, quase às dez da noite, teremos o Fluminense enfrentando o Botafogo pela Taça Rio.

Descontadas as hipérboles, a luta do Tricolor neste momento é somar pontos para garantir a vantagem do empate no jogo semifinal. Já o Alvinegro está com a cabeça noutra competição. O primeiro resultado de tudo já sabemos: um público muito aquém do razoável para o mais antigo clássico do futebol brasileiro, por diversas razões.

Neste 2017, tivemos a estreia do Fluzão diante do Vasco para 11.043 torcedores pagantes. O time da Colina jogou para 8.088 pagantes diante do Botafogo. E o Fla x Flu onde ganhamos a Taça Guanabara teve 22.042 idem. Flamengo e Vasco, 5.484. Estes quatro clássicos tiveram 46.657 torcedores somados. Um número francamente ridículo se pensarmos no tamanho das torcidas dos grandes clubes cariocas, descontadas as hipérboles e piadas.

Ao se questionar sobre a franca decadência nos números presenciais, certa esfera modernista há de ressaltar a era da televisão (que salva os clubes, mas também lhes oferece uma adaga no pescoço), da arquibancada espalhada pelos bares e das torcidas organizadas do eu sozinho, em casa, diante da esmartevê. Sem dúvida os tempos mudaram e muito, mas isso não deve ou deveria significar o retrocesso quantitativo do público para os anos 1920 e 1930, quando Laranjeiras e São Januário eram os templos do futebol carioca e brasileiro.

Ok, não tem Maracanã. Ou tem, dependendo da cara do cliente. O fato é que nosso futebol foi francamente esvaziado com o passar dos tempos e, a cada dia que passa, não somente aumenta o número de pessoas que não se interessam por futebol como os estádios daqui ficam cada vez mais desinteressantes. No mínimo, deveria ser uma preocupação dos clubes de futebol, deixando de lado a monocultura das cotas da TV que, em muitos casos, vira limite do cheque especial para cobrir arroubos e barbeiragens administrativas.

Dos jogos que elenquei acima, o Fla x Flu teve o maior público. Era a decisão da Taça Guanabara, ainda com charme e nostalgia mesmo sem valer quase nada para a fase final da competição. É certo que poderia ter dado mais gente se não tivesse havido tanta confissão com liminares, proibições et cetera. Mas não deixo de pensar numa outra edição do clássico imortal, realizada há quase 30 anos, da devida maneira: num domingo às cinco da tarde no outrora maior estádio do mundo. O Rio de Janeiro foi tomado por uma tempestade monumental, a ponto de se duvidar que fosse possível a realização da partida. Só foram os gatos pingados feito eu; os degraus da arquibancada do Maracanã que ficavam além da velha cobertura de concreto pareciam riachos, com o pessoal espremido onde dava. Um jogo ruim, para 24.512 pagantes.

Não se pode vulgarizar os clássicos: eles precisam ser especiais, contando com grandes torcidas. O contrário faz com que todos percamos antes da bola rolar. É preciso resgatar ao menos parte da torcida que se perdeu nas telas e monitores da vida. Um espetáculo não existe sem plateia, um grande jogo não resiste sem torcidas.

O mundo mudou, já não é o mesmo, vivemos a bela Idade Média com smartphone, Uber e Tinder, mas não custa nada refletir nas palavras do primeiro parágrafo da crônica de João Saldanha, abaixo publicada.

Bangu: o dia em que Arthurzinho fez chover (por Paulo-Roberto Andel)

escudo bangu com fundo preto

Iniciando sua carreira no São Cristóvão e revelado pelo Fluminense, o Rei Arthur encarou uma pedreira: a busca por uma vaga na fenomenal Máquina Tricolor.

Deixando as Laranjeiras, teve uma temporada brilhante pelo Operário de Mato Grosso do Sul, depois no Bangu, Vasco, Corinthians e diversas outras equipes.

Um craque do meio de campo, com drible, arranque e visão de jogo, daqueles que o futebol brasileiro fabricava como ninguém.

Embora tenho conquistado diversos títulos em sua vida profissional, jogando em estádios abarrotados, para muitos a sua maior atuação foi numa tarde chuvosa de quarta-feira, feriado de 7 de setembro, no Maracanã enfrentando o Flamengo pelo primeiro turno do Campeonato Carioca de 1983, diante de apenas cinco mil torcedores (o que hoje pode ser um bom número, dependendo do jogo).

Na verdade, quem fez chover foi o próprio Arthurzinho, que marcou quatro gols na goleada por 6 a 2 imposta pelo Alvirrubro ao time rubro-negro, escrevendo seu nome ao lado de Nilo, Carvalho Leite, Russinho, Heleno de Freitas, Puskás e Marcelo, jogadores que também fizeram quatro tentos sobre o Flamengo numa mesma partida em toda a história.

O time da Gávea vivia uma crise desde a saída de Zico e uma derrota para o Botafogo por 3 a 0, também pelo carioca que derrubou a comissão técnica e a diretoria inteira do clube.

A conta ficou para o jovem goleiro Abelha, vindo da Ferroviária de Araraquara, substituto de Raul Plassmann e que fazia sua estreia justamente no Flamengo x Bangu. Foi extremamente criticado pela goleada. Felizmente a carreira de Abelha não foi arruinada: depois ele jogou no São Paulo e em outros clubes, tornou-se treinador de futebol e já escreveu até um livro, chamado “Treinamento de Goleiro – Técnico e Físico”.

Campeonato Estadual – Taça Guanabara
Local: Maracanã
Renda: Cr$ 4.282.400,00/ Público: 5.009 pagantes
Árbitro: Pedro Carlos Bregalda, auxiliado por João José Loureiro e José Inácio Teixeira

Bangu: Toinho; Gílson Paulino, Tecão (Jair), Fernandes (Índio) e Tonho; Mococa, Arturzinho e Mário; Marinho, Fernando Macaé e Ado; Técnico: Moisés

Flamengo: Abelha; Leandro, Marinho, Mozer e Ademar; Andrade, Vítor e Júnior; Robertinho, Baltazar (Peu) e Adílio; Técnico: José Roberto Francalacci

Bangu dá goleada histórica
Fonte: Jornal dos Sports

(Reprodução do site bangu.net)

Bem que o Bangu tentou dar de sete em comemoração ao dia da Independência do Brasil, mas acabou mesmo ficando nos 6 a 2 sobre o Flamengo, ontem à tarde, no Maracanã. Foi uma goleada histórica como histórica foi a atuação de Artur, que marcou quatro gols, um de pênalti, um de cabeça, um de rebote de goleiro e um antológico.

Para quem vem acompanhando o Flamengo, a goleada de ontem não surpreendeu tanto. O Goleiro Raul é que vinha impedindo derrotas e não deixou que o América marcasse mais de três. Ontem, Raul não jogou e, para complicar ainda mais, Abelha, contrariando o seu nome, falhou principalmente pelo alto.

A desarrumação é total, parece faltar motivação a alguns jogadores, outros demonstram precisar de um psicólogo. Além de uns dois convocados para a seleção que não se mostraram dispostos a arriscar uma contusão. O comando, sem força, devido às circunstâncias em que o clube se encontra, tudo indefinido, também não pode exigir o máximo. A confusão é tão grande que a cada jogo, é escalado um camisa 10. Ontem, foi a vez de Júnior.

Mas a goleada de ontem não pode ser creditada apenas a ruindade do Flamengo. O Bangu jogou e vem jogando muito bem, tanto que ganhou do América e do Goytacaz nos jogos anteriores. A tendência é crescer com Marinho Chagas na lateral e a consolidação da filosofia do técnico Moisés. O Time do Bangu está cheio de baixinhos, mas todos muito bons de bola. E um craque chamado Artur.

Ao contrário do time do Flamengo, que ainda não entendeu a necessidade de até morder os adversários, o do Bangu colocou tudo em campo. A técnica, velocidade, disciplina tática e o próprio coração. O seu único erro ontem, foi voltar atrasado para o segundo tempo, em três minutos. A troca de uniformes, devido ao campo enlameado, deve ter sido o motivo. Quando ao Flamengo, nem isso.

Castor não se ilude, vai reforçar o time

A goleada de 6 a 2 sobre o Flamengo não diminuiu o ânimo de Castor de Andrade de reforçar a equipe. Após a vitória, o dirigente disse que continua interessado na contratação de dois jogadores – um centroavante e um zagueiro – e que Marinho Chagas, que assina hoje seu contrato, deverá estrear brevemente no Bangu:

– Essa goleada não vai me iludir – disse o dirigente. Ainda quero mais reforços e vou agir rapidamente, a tempo de reforçar o time para o segundo turno. Nomes eu não digo, mas posso garantir que o Bangu terá grandes reforços muito em breve.

A situação de Marinho Chagas já está definida. Ele assina contrato hoje e, se tiver em condições até sábado, poderá até estrear contra o Botafogo. Mas essa é uma coisa pouco provável. O jogador, apesar de se sentir bem, ainda não decidiu se estreará mesmo:

– Vai depender dessa dorzinha, que sinto na região glútea. Se melhorar, eu jogo. Mas se continuar sentindo, vou pedir ao Moisés para dar um tempo e entrar só quando estiver bem. Afinal, depois de um resultado desses, não posso entrar em campo sem condições totais. O Bangu está armando um grande time e vai brigar pelo título.

Quem deverá voltar em breve é o lateral direito Rosemiro, que a cada vem melhorando muito. O lateral disse que na próxima semana pedirá a Moisés para treinar normalmente, já que se sente totalmente recuperado.

Na vibração, o prêmio é dobrado

A goleada de ontem pode ser considerada Histórica. Pelo menos, o vestiário do Bangu tinha o clima de um resultado inesquecível. O ambiente era de muita descontração e Castor de Andrade era um dos mais emocionados, tanto que anunciou um bicho de Cr$ 100 mil, alterando os seus planos, que era de pagar Cr$ 50 mil pela vitória.

Os jogadores se abraçavam e os torcedores lembravam que a última vez que o Bangu conseguiu golear o Flamengo foi em 1970, vencendo de 4 a 0. E, em tom de gozação, o supervisor Carlos Alberto Galvão lembrava, juntamente com Mário, o lance em que o Bangu marcou seu sexto gol, quando ele, Carlos Alberto, comemorando o gol, gritou para Mário mandar o time parar de fazer gols.

Como acontece em todos os jogos, Moisés se trancou na rouparia e só saiu para dar rápida entrevista. Apesar da goleada, o técnico não parecia de todo entusiasmado e só se descontraiu depois que Ademir Vicente, ex-jogador do Botafogo, Corinthians e do próprio Bangu, brincou com o treinador:

– Tá justificando o quê? – disse, ao ver o treinador dando entrevistas para um jornalista. – depois de uma vitória dessas não precisa justificar nada. Aliás, estou muito aborrecido com o senhor. Hoje, o Bangu podia ter dado de 10 a 1 no Flamengo. Uma goleada memorável. Quem foi que mandou o time parar de fazer de gols?

Após as palavras de Ademir Vicente, Moisés riu e fez alguns comentários sobre a partida:

– Ainda estou um pouco atônico, pois apesar dos 6 a 2 o jogo não foi tão fácil assim. Até marcarmos o quarto gol, o jogo estava duro e temi até por uma reação do Flamengo, que é um grande time. Felizmente, dessa vez, nós contamos também com a sorte e conseguimos transformar em gols quase todas as jogadas de perigo que criamos na área do Flamengo.

Para o jogo contra o Botafogo, sábado, Moisés não pretende alterar o time. A apresentação dos jogadores será hoje, à tarde, no Estádio Guilherme da Silveira. Segundo o Dr. Renato Pascoal, Fernandes e Tecão, que saíram contundidos, não deverão ser problemas para sábado.

O Destaque: Arturzinho, um gol de gênio

Aos 28 minutos do segundo tempo, Arturzinho dominou a bola no meio de campo e fingiu que ia dar para Fernando Macaé. Nesse instante, Mozer tentou fazer a linha de impedimento e foi o seu azar. Numa jogada de gênio, num dos gols que podem ser considerados como um dos mais belos já marcados no Estádio Mário Filho, Arturzinho partiu em direção ao gol, driblando, com um único toque, toda a defesa do Flamengo. Abelha saiu no desespero e Arturzinho, com um chute fatal, mandou a bola por cobertura e mesmo antes dela chegar as redes, ele já estava comemorando.

– É um gol raro. Nem mesmo os grandes jogadores estão acostumados a marcá-los. Fiz com a convicção de que poderia marcá-lo e dei sorte. Mas, volto a repetir, foi um lance muito difícil de acontecer.

No vestiário, Arturzinho foi o jogador mais festejado. Até mesmo a oração, que é feita após todas as partidas, independente de qualquer resultado, teve que esperar. Arturzinho, apontado como o pincipal destaque do jogo, demorou a sair de campo, tal o número de entrevistas que teve de dar às emissoras de rádios.

Depois, no vestiário, ele disse que o dia de ontem, em que assumiu a artilharia do Campeonato Estadual, ao lado de Luisinho do América, com 10 gols, após marcar quatro contra o Flamengo, poderia ter sido muito especial se fosse no domingo. Por isso seria duplamente especial.

– De qualquer maneira é uma data memorável, mas seria muito especial mesmo se fosse domingo, dia em que serei pai. Minha mulher está grávida e vai se internar na Clínica Jabour, onde terá uma cesariana, domingo. Por isso seria duplamente especial.

E um dos artilheiros do campeonato será ainda homenageado pelo Bangu. O supervisor Carlos Alberto Galvão informou no vestiário, logo após a partida, que Castor de Andrade já mandou fazer uma camisa, tamanho muito pequeno, para dar ao filho de Arturzinho. Como só saberá se a criança será menino ou menina após o parto, Castor mandou confeccionar apenas o nome do jogador na camisa, em cima do escudo. Mas mandará bordar o nome da criança, tão logo Arturzinho diga como se chamará.

Rodada dupla… mesmo! (por Paulo-Roberto Andel)

chape sirli freitas

Nesta quarta-feira, dia 08, a Chapecoense tem um confronto com o Cruzeiro pela Primeira Liga. Até aí, tudo bem; no entanto, o time da Chape também tem um jogo contra seu rival Avaí pelo Campeonato Catarinense. Os dois jogos no mesmo dia.

Inicialmente o confronto contra o Avaí estava marcado para dia 14 deste mês, mas foi adiado. Assim que soube das modificações na tabela, o clube entrou em contato com a Primeira Liga e também com a Federação Catarinense de Futebol para a alteração de uma das datas, sem sucesso nos dois casos.

Está longe de ser a primeira vez que isso acontece no futebol brasileiro.

O mais surreal dos casos aconteceu com o Grêmio em 1994. Segue reprodução do site Cenas Lamentáveis:

“Em 1994, a Federação Gaúcha de Futebol criou um campeonato estadual de pontos corridos, conhecido até hoje como “Gauchão Interminável”. Começou em 5 de março e terminou em 17 de dezembro, com 23 clubes duelando em turno e returno.

A ideia da federação era diminuir o número de clubes na Primeira Divisão Gaúcha. Para isso, o regulamento determinou que nove equipes seriam rebaixadas. As consequências de um campeonato longo foram uma baixa média de público e uma das páginas mais curiosas da história do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.

Em 11 de dezembro de 1994, uma tórrida tarde de domingo, foram realizadas três partidas no Estádio Olímpico, válidas pelo Gauchão daquele ano. O Grêmio já estava sem chances de título, mas por que precisou jogar três vezes no mesmo dia?

Acontece que esta foi a forma encontrada de “zerar” os jogos do clube no Gauchão, já que o time de Luiz Felipe Scolari estava disputando várias competições: Copa do Brasil, Brasileiro, Supercopa e Conmebol. A temporada do Grêmio teria quase cem partidas em 1994.

Para aguentar os 270 minutos correspondentes das partidas, que iniciariam às 14, 16 e 18 horas, Felipão concentrou 42 jogadores, colocando em campo 34 deles, além de ceder a casamata a Zeca Rodrigues nas duas primeiras partidas, ficando à beira do gramado apenas no confronto final.

A torcida tinha a mesma impressão, tanto que protagonizou um dos menores públicos da história do Olímpico. Havia até promoção de ingressos: cadeiras e social a R$ 3,00. Estudante pagava R$ 1,50. No total, 758 pessoas sentaram no duro concreto do estádio, e apenas 247 eram pagantes. A renda, portanto, seria de irrisórios 690 reais.

Apesar das enormes dificuldades, o aproveitamento do Grêmio foi bom: um empate e duas vitórias. A primeira partida, às 14 horas, com sensação térmica de 48 ºC, foi diante do Aimoré. Juniores e juvenis formaram a equipe tricolor, com uniforme azul celeste. Destaque para o goleiro Murilo, que evitou a derrota ao defender um pênalti aos 34 minutos do segundo tempo.

O calor era tanto que o árbitro interrompeu a partida para hidratação dos atletas. Atualmente, consta até no regulamento de certas competições, mas, em 1994, isso sequer era cogitado, pois os  jogos nunca eram disputados à época em horários de maior incidência de raios solares. A decisão de Willy Tissot arrancou aplausos dos torcedores.

A primeira vitória do Grêmio no dia viria na partida seguinte, disputada às 16 horas. Só que, mesmo com sete titulares, o Grêmio, usando o tradicional uniforme tricolor, só conseguiu vencer o Santa Cruz aos 47 minutos do segundo tempo. O único gol da partida foi marcado pelo atacante Fabinho. Além disso, o zagueiro Agnaldo Liz desperdiçou um pênalti para o Grêmio.

A maratona de futebol no Estádio Olímpico chegaria ao fim com o confronto das 18 horas, diante do Brasil de Pelotas. Émerson, jovem meia, havia entrado no segundo tempo diante do Santa Cruz, e seria titular no jogo final, por isso, precisou ser rápido no vestiário para trocar o uniforme tricolor que estava usando pelo branco.

“Lembro que as palestras pré-jogo foram muito rápidas. O clima também era de descontração, era fim de ano e pouco valiam as partidas. Aquela tarde foi uma experiência única”, recorda Emerson.

O Xavante chegou ao Olímpico às 15 horas, e se deparou com os vestiários todos ocupados. O jeito foi a delegação ir para a providencial sombra do setor das sociais. O tempo livre foi regado a picolés, pagos pelo técnico Ernesto Guedes.

Em campo, sem picolé e com o calor um pouco menos impiedoso, mais uma vitória do Grêmio, pelo placar mínimo. O gol saiu aos 22 minutos do segundo tempo. Jaques, de cabeça, foi o autor do tento. “Foi no improviso. Antes, a gente dava risada, brincava que conseguiria jogar as três partidas, mas não foi fácil. Três jogos, no mesmo estádio, da mesma equipe, no mesmo campeonato. Pelo que eu já vi sobre futebol, não conheço nenhum caso no mundo”, disse o atacante.

Na época em que vitória valia dois pontos, que o Plano Real começava a dura empreitada de remediar a economia nacional, e Felipão ainda era apenas um gaúcho de bigode e pouco conhecido no Brasil, o Grêmio, enfim, conseguiu completar 270 minutos em campo numa mesma tarde. Curiosidade com cara de façanha. Mais uma história que o Olímpico levou consigo, depois que cedeu seus jogos à Arena do Grêmio.

O fato colocou o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense no Guinness Book: foi o primeiro time a disputar três partidas oficiais em um mesmo dia. Jaques, Emerson e Ciro foram os que mais correram pelo tricolor gaúcho: atuaram em duas das três partidas.”

grêmio 1994 tres jogos

Em 1993, sem datas para realização da Recopa (duelo entre vencedores da Libertadores e da Supercopa do ano anterior), a Conmebol e a CBF concordaram que o duelo entre São Paulo e Cruzeiro, marcado para o dia 25 de setembro, poderia valer por duas competições.

Assim, o jogo disputado no Morumbi, reuniu o São Paulo campeão da Libertadores e o Cruzeiro campeão da Supercopa. A partida valia pelo Campeonato Brasileiro, mas o resultado foi considerado também como o jogo de ida da Recopa, após acordo entre as entidades. A partida terminou empatada sem gols.

Na volta, quatro dias depois, no Mineirão, o duelo valeu somente pelo curto torneio internacional. Novo placar de 0 a 0 e decisão nos pênaltis. Melhor para o São Paulo, que venceu por 4 a 2. Então no começo de carreira, Ronaldinho ainda não era Ronaldo Fenômeno e perdeu uma das cobranças, defendida por Zetti.

cruzeiro sp 1993 valber e ronaldinho

Ah, e acabou de acontecer com o Gre-Nal outro dia também pela Primeira Liga.

grenal 2016

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Imagem: sirli freitas/chape

Adeus, geral (da Redação)

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Entendendo que o futebol é uma representação fiel de nossa realidade, surge o documentário “Adeus, Geral”, que teve seu início a partir de um trabalho escolar de Geografia sobre “muros sociais”. O filme busca explorar a elitização do futebol brasileiro, que exclui dos estádios as camadas mais pobres da população.

Produzido por cinco alunos do Ensino Médio, movidos pelo sentimento de expor as injustiças que esse muro social representa, deu voz a torcedores, jornalistas, técnicos e ex-jogadores para entender o que significa essa tendência.

Participam, com depoimentos, nomes como os jornalistas Juca Kfouri e Mauro Cezar Pereira, o ex-técnico do Corinthians, Tite, o presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, o ex-jogador Alex e membros das principais torcidas organizadas de São Paulo.

Um documentário de Gustavo Altman, Martina Alzugaray, Pedro Arakaki, Matheus Bosco e Pedro Junqueira.

São Cristóvão F.R., 90 anos da conquista de 1926 (da Redação)

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Único time do mundo a ter um uniforme exclusivamente branco, dono do primeiro estádio de futebol construído no Rio de Janeiro e berço do futebol de grandes jogadores que inclusive disputaram Copas do Mundo, o São Cristóvão completou 90 anos ontem da conquista do campeonato carioca de 1926. Nas últimas décadas, assim como tantas outras equipes tradicionais do Rio e do Brasil, sobrevive com imensas dificuldades e absolutamente desprezado pelos meios de comunicação.

O Club de Regatas São Cristóvão foi fundado em 12 de outubro de 1898, para depois se fundir com em 13 de outubro de 1943 com o clube de futebol, este fundado em 5 de julho de 1909.

Nos últimos 35 anos, o popular São Cri Cri teve brilhos efêmeros, como o da cooperativa de jogadores em 1983, contando com nomes como os do goleiro Nielsen, o lateral Orlando Lelé, o zagueiro Jaime, o lateral Rodrigues Ne­to, mais os atacantes Gil, Rui Rei, Nilson Dias e Edu – um time com muitos jogadores de categoria, mas veteranos. A revelação de Ronaldo Fenômeno, que viria a se tornar um dos grandes atacantes do futebol mundial. O surgimento de Valber, zagueiro que defendeu diversos clubes do Brasil e chegou à Seleção Brasileira.

Matéria do UOL sobre os 90 anos do título de 1926.

Matéria de O Globo sobre os 100 anos do estádio de Figueira de Melo.

 

A agonia da Portuguesa de Desportos (da Redação)

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Deu no Estadão, na seção de classificados: o emblemático estádio do Canindé, a casa da Portuguesa de Desportos.

O leilão será realizado no próximo dia 18, às 14h, através da empresa Fidalgo Leilões.

O valor inicial é de R$ 74 milhões, sendo 30% no ato da compra e o restante em até 30 parcelas.

Até o momento, não houve o registro de lances.

Parte do terreno ocupado pelo Canindé (45%) pertence à Prefeitura de São Paulo.

O leilão nasceu do rol de dívidas trabalhistas acumuladas pela Portuguesa ao longo dos anos, muitas delas com ex-jogadores hoje representados pela advogada Gislaine Nunes.

As partes chegaram a fazer um acordo, mas desde a entrada de Ilídio Lico na presidência, no início de 2014, o clube parou de pagar as parcelas da dívida. Assim sendo, a área  do estádio foi oferecida como garantia.

A ação original, de 2002, é de autoria do ex-jogador Tiago de Moraes Barcellos.

HISTÓRIA

O Deutsch Sportive, clube da colônia alemã em São Paulo, possuía um imóvel no bairro do Canindé, onde praticava os mais variados esportes. Mas, com a declaração de guerra do governo brasileiro aos países do Eixo, durante a Segunda Guerra Mundial, começou uma perseguição a clubes das colônias desses países, inclusive a alemã. O Deutsch resolve vender seu imóvel temendo perdê-lo confiscado.

Por sua vez, o São Paulo Futebol Clube, que resolvera o seu problema com estádio para jogos, adotando ao Estádio do Pacaembu, ainda não tinha um local para treinamento. Comprou então o Canindé em 29 de janeiro de 1944, por 740 contos de Réis. Ainda, pelo acordo deveria permitir que os membros do clube vendedor continuassem usando as instalações. O Deutsch Sportive mudou de nome para Guarani, abrasileirando-se e fugindo de perseguições. Mais tarde, seus sócios aderiram ao São Paulo.

Em 1956, a Portuguesa adquiriu o imóvel no bairro do Canindé, do seu proprietário, Wadih Sadi. Este, um sócio do São Paulo Futebol Clube, que comprara o imóvel do próprio clube um ano antes. No local havia apenas uma pequena infra-estrutura, que incluía: um campo para treinos, um pequeno salão, vestiários e outras depeNdências de treinamento. Para que pudessem ser realizadas partidas oficiais no local e atender às exigências da Federação Paulista de Futebol, foram realizadas várias reformas, levantados alambrados e uma arquibancada provisória de madeira. Estas primeiras arquibancadas acabaram conferindo ao estádio o apelido carinhoso de “Ilha da Madeira” — título que, além de ser alusivo à condição da edificação, também se refere à ilha portuguesa.

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Mergulhada num caos sem fim desde dezembro de 2013, no conturbadíssimo episódio conhecido como “Flamenguesa”, a querida Portuguesa de Desportos parece sem condições de reagir a uma sucessão de golpes endógenos e exógenos. Não se pode confundir os maus atos de alguns homens com a belíssima e longe história do veterano clube, recheados de nomes imortais do futebol brasileiro, tais como Félix, Djalma Santos, Denner; Julinho Botelho, Enéas de Camargo, o Príncipe Ivair, Basílio, Dicá e muitos outros.