João Saldanha, 1986, Roda Vida (da Redação)

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Onde tinha João Saldanha, tinha também reflexão, humor e causos imperdíveis. É o caso desta entrevista ao programa Roda Viva, dividido em três blocos, da TV Cultura no ano de 1986. Aqui, apresentamos o segundo. Os outros dois podem ser encontrados com facilidade no YouTube. Para os mais jovens, é divertido ver o apresentador Marcelo Rezende ainda como jornalista esportivo na bancada.

Tática, técnica, as Feras do Saldanha, a Democracia Corinthiana, a incrível história do tiro no goleiro Manga, homossexualidade no futebol e muito mais.

Papeletas amarelas, há 30 anos (da Redação)

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Em 04 de outubro de 1986, o TJD intimava George Helal, então presidente do Flamengo, a se explicar sobre operações que ficaram conhecidas como “Papeletas Amarelas”, numa suposta ajuda de custo a árbitros que trabalhavam no Campeonato Carioca de 1986.

Tempos depois, nada ficou provado. George Helal e Leo Rabello, dois nomes de destaque na situação, foram absolvidos e até hoje atuam no mundo do futebol: Helal, nas internas do Flamengo e Rabello como empresário de jogadores.

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O dia em que conheci minha primeira derrota (por Fagner Torres)

21 Jun 1986: Zico (right) of Brazil takes on Batiston of France during the World Cup quarter-final at the Jalisco Stadium in Guadalajara, Mexico. France won 4-3 on penalties. Mandatory Credit: David Cannon/Allsport

A última terça-feira era para ser um dia comum, não marcasse a data na qual, há 30 anos, este colunista foi apresentado à palavra derrota.

Apesar disso, guardo na memória o 21 de junho de 1986 com imenso carinho. Deve se considerar felizardo aquele que descobre as perdas da existência com o futebol, pois, convenhamos, não há forma mais leve de se conhecer o fracasso. A vida é dura e pode nos reservar formas de ausência piores que aquela que vem pelo descaminho da bola. Ela, a redonda, ao contrário da vida, gira ao ponto de quase sempre se colocar diante de nós em outras ocasiões, louca para ser chutada ou agarrada.

Foi bonito aquele 21 de junho. E são tantas lembranças, que como eu haveria de esquecer? Era um menino vestido quase a caráter, com a camisa amarela que tinha a Jules Rimet na frente e o número 10 às costas (daí o ‘quase’). Completava o uniforme, um shortinho azul, um par de meiões brancos e um surrado Ki-Chute amarrado na canela.

As ruas naquele 21 de junho pulsaram, repletas de enfeites. A família esteve reunida em torno da churrasqueira, atenta à voz que vinha da tela. Era do Osmar Santos.

Naquele dia tinha o Araken, o Show-Man. O tema, que eu adorava, era “Mexe coração”. Na hora do gol, a TV tocava um tal de “ginga pra lá, ginga pra cá!”, que naquele 21 de junho, me lembro de ter cantado junto.

Meu time tinha muitos craques. Mas apenas mais tarde é que eu vim a escolher um deles como herói, graças ao seu braço direito erguido e seu punho cerrado!

E como não podia deixar de ser, coube à minha mãe o afeto recebido após aquela primeira derrota.

Por fim, a última lembrança. Ainda chorando, avistei, na porta de meu apartamento, um inseto, que após o susto inicial, descobri se chamar Esperança, devido a sua cor verde.

Eram tempos incríveis! Lamento que nada daquilo exista mais.

Ou melhor, a Esperança ainda não morreu.

Imagem: David Canon/Allsport

O jornalista Fagner Torres responde pelo blog Laranjeiras ESPN FC, além de colaborar com o blog Panorama Tricolor e este PANORAMA DO FUTEBOL