João Saldanha, 1986, Roda Vida (da Redação)

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Onde tinha João Saldanha, tinha também reflexão, humor e causos imperdíveis. É o caso desta entrevista ao programa Roda Viva, dividido em três blocos, da TV Cultura no ano de 1986. Aqui, apresentamos o segundo. Os outros dois podem ser encontrados com facilidade no YouTube. Para os mais jovens, é divertido ver o apresentador Marcelo Rezende ainda como jornalista esportivo na bancada.

Tática, técnica, as Feras do Saldanha, a Democracia Corinthiana, a incrível história do tiro no goleiro Manga, homossexualidade no futebol e muito mais.

A agonia da Portuguesa de Desportos (da Redação)

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Deu no Estadão, na seção de classificados: o emblemático estádio do Canindé, a casa da Portuguesa de Desportos.

O leilão será realizado no próximo dia 18, às 14h, através da empresa Fidalgo Leilões.

O valor inicial é de R$ 74 milhões, sendo 30% no ato da compra e o restante em até 30 parcelas.

Até o momento, não houve o registro de lances.

Parte do terreno ocupado pelo Canindé (45%) pertence à Prefeitura de São Paulo.

O leilão nasceu do rol de dívidas trabalhistas acumuladas pela Portuguesa ao longo dos anos, muitas delas com ex-jogadores hoje representados pela advogada Gislaine Nunes.

As partes chegaram a fazer um acordo, mas desde a entrada de Ilídio Lico na presidência, no início de 2014, o clube parou de pagar as parcelas da dívida. Assim sendo, a área  do estádio foi oferecida como garantia.

A ação original, de 2002, é de autoria do ex-jogador Tiago de Moraes Barcellos.

HISTÓRIA

O Deutsch Sportive, clube da colônia alemã em São Paulo, possuía um imóvel no bairro do Canindé, onde praticava os mais variados esportes. Mas, com a declaração de guerra do governo brasileiro aos países do Eixo, durante a Segunda Guerra Mundial, começou uma perseguição a clubes das colônias desses países, inclusive a alemã. O Deutsch resolve vender seu imóvel temendo perdê-lo confiscado.

Por sua vez, o São Paulo Futebol Clube, que resolvera o seu problema com estádio para jogos, adotando ao Estádio do Pacaembu, ainda não tinha um local para treinamento. Comprou então o Canindé em 29 de janeiro de 1944, por 740 contos de Réis. Ainda, pelo acordo deveria permitir que os membros do clube vendedor continuassem usando as instalações. O Deutsch Sportive mudou de nome para Guarani, abrasileirando-se e fugindo de perseguições. Mais tarde, seus sócios aderiram ao São Paulo.

Em 1956, a Portuguesa adquiriu o imóvel no bairro do Canindé, do seu proprietário, Wadih Sadi. Este, um sócio do São Paulo Futebol Clube, que comprara o imóvel do próprio clube um ano antes. No local havia apenas uma pequena infra-estrutura, que incluía: um campo para treinos, um pequeno salão, vestiários e outras depeNdências de treinamento. Para que pudessem ser realizadas partidas oficiais no local e atender às exigências da Federação Paulista de Futebol, foram realizadas várias reformas, levantados alambrados e uma arquibancada provisória de madeira. Estas primeiras arquibancadas acabaram conferindo ao estádio o apelido carinhoso de “Ilha da Madeira” — título que, além de ser alusivo à condição da edificação, também se refere à ilha portuguesa.

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Mergulhada num caos sem fim desde dezembro de 2013, no conturbadíssimo episódio conhecido como “Flamenguesa”, a querida Portuguesa de Desportos parece sem condições de reagir a uma sucessão de golpes endógenos e exógenos. Não se pode confundir os maus atos de alguns homens com a belíssima e longe história do veterano clube, recheados de nomes imortais do futebol brasileiro, tais como Félix, Djalma Santos, Denner; Julinho Botelho, Enéas de Camargo, o Príncipe Ivair, Basílio, Dicá e muitos outros.

O futebol acorrentado (por Paulo-Roberto Andel)

Numa das esquinas do centro nevrálgico do Rio, no encontro das ruas Carlos Carvalho e Carlos Sampaio, a cinco minutos da Central do Brasil, reside um par de traves.

Passam a semana acorrentadas, de segunda a sábado, até que finalmente são libertadas: nas imediações da Cruz Vermelha é liberada uma área de lazer aos domingos. Um bom e velho futebol de rua, de asfalto, come solto. Crianças, jovens e adultos praticam o esporte que apaixona a bilhões de pessoas mundo afora.

No domingo, o simpático e descascado par de traves é uma das nossas maiores expressões culturais populares.

Durante a semana, poética e involuntariamente ele exerce outro papel.

Percebam a sutileza das imagens num sentido figurado. O futebol aprisionado, acorrentado, dominado pelos interesses econômicos que se sobrepõem aos esportivos. O feudo que comanda e oprime a voz da massa.

Qualquer semelhança com um país da América do Sul é mera coincidência.

Bem perto das traves, dois outros itens completam a divagação: uma caçamba de lixo fétida, não fotografada, e a pichação do muro próximo ao poste carcereiro, que cerca as instalações da Cruz Vermelha Brasileira: “Muro das lamentações”.

Que o domingo ainda possa ser sempre o alívio de semanas de angústia e ilusão.

O futebol acorrentado quer ser livre para sempre.

Mas como?

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A dissolução do quadro de árbitros em 1981 no Rio (da Redação)

Para quem acha que o futebol do passado corria às mil maravilhas quando o assunto era arbitragem, federação e outrem, aí está o registro do Jornal do Brasil em 24/10/1981, há exatos 35 anos: uma crise no futebol carioca, cujos desdobramentos  chegariam no ano seguinte ao escândalo conhecido como “Máfia da Loteria”,  com resultados terríveis para o então mais valioso e procurado jogo de apostas do Brasil.

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Diretas já! (da Redação)

Ano de 1984. Dia 22 de abril.

O Brasil em efervescência política por conta da luta por eleições diretas, esperadas há 20 anos.

No Maracanã, Flamengo e Santos.

O velho e inesquecível placar do então maior estádio do mundo, com suas lâmpadas, não se fazia de rogado e entrava na militância em prol da democracia no Brasil.

O placar terminou empatado em 2 a 2.

Três dias depois, a esperança de milhões de brasileiros era enterrada temporariamente, com a rejeição da PEC (proposta de emenda constitucional) Dante de Oliveira pela Câmara dos Deputados, que previa as eleições diretas.

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No vídeo com os gols do jogo, duas curiosidades: a narração de Fernando Vanucci e a enorme propaganda dourada na camisa do Flamengo.

Flamengo x Palmeiras: dois jogaços em 1979 e 1980 (da Redação)

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Dois jogos, duas goleadas, dois grandes momentos no Maracanã.

Em 1979, pelas quartas de final do Campeonato Brasileiro, o Palmeiras bateu o Flamengo por 4 a 1 no então maior estádio do mundo, lotadíssimo.

No ano seguinte, 1980, o troco rubro-negro: 6 a 2 sobre o Verdão. Vários jogadores atuaram nos dois jogos e viveram céus e infernos do futebol.

Em 1979, o Palmeiras chegaria até as semifinais da competição, sendo eliminado pelo Internacional de Porto Alegre. Já em 1980, o Flamengo conquistaria seu primeiro título brasileiro.

Engenhão: uma história de explicações elásticas (da Redação)

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Em 26 de março de 2013, o estádio do Engenhão foi interditado pelo suposto risco de morte que oferecia a seus frequentadores, com o possível risco de queda de sua cobertura. Desde então, sofreu uma reforma multimilionária de modo a receber os Jogos Olímpicos de 2016.

Pelo visto, trata-se de uma história com variáveis complexas e de causar desconfiança.

Matéria divulgada pela CBN neste 4 de outubro, assinada pelo jornalista André Coelho, revela que um laudo dá como desnecessária a dita reforma.

CLIQUE AQUI.

Um novo estudo afirma que a prefeitura do Rio não precisava ter interditado o Estádio Nilton Santos, o Engenhão, por quase dois anos e que a cobertura da arena não apresentava riscos. De acordo com a análise, foi desnecessária a obra de R$ 100 milhões para o reforço da cobertura.

O laudo concluiu que as falhas encontradas eram diferenças normais para construções de grande porte e que não havia sinal de desgaste. As ferrugens nos arcos de sustentação, que se tornaram símbolo do problema, eram, na verdade, falta de manutenção da pintura.

Veja os links abaixo, que ajudam a tentar entender essa verdadeira caleidoscópio da soma de forças.

FOI UM ERRO!

AÇÃO MILIONÁRIA!

EM 2015…

 

 

Papeletas amarelas, há 30 anos (da Redação)

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Em 04 de outubro de 1986, o TJD intimava George Helal, então presidente do Flamengo, a se explicar sobre operações que ficaram conhecidas como “Papeletas Amarelas”, numa suposta ajuda de custo a árbitros que trabalhavam no Campeonato Carioca de 1986.

Tempos depois, nada ficou provado. George Helal e Leo Rabello, dois nomes de destaque na situação, foram absolvidos e até hoje atuam no mundo do futebol: Helal, nas internas do Flamengo e Rabello como empresário de jogadores.

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Preliminares do Maracanã (por Paulo-Roberto Andel)

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Quando o Maracanã era o Maracanã, mesmo com a bagunça que era o futebol brasileiro, o encontro semanal da bola acontecia de forma especial – mas não exclusiva – às cinco da tarde no maior estádio do mundo. E invariavelmente duas horas antes, acontecia a preliminar de juvenis, que depois foram transformados em juniores. Bem antes disso tudo, havia o campeonato de aspirantes, com jovens jogadores que ainda não eram aproveitados nos times principais.

Você conhecia os futuros craques do seu time – porque eles continuavam no clube, eram profissionalizados e jogavam algumas temporadas antes de serem negociados. E também engolia a seco as ferinhas dos times adversários. Todo mundo sabia tudo com um ou dois anos de antecedência, e aqueles jogadores iam formar a base dos times cariocas, salvo uma ou outra transação. Quando eram efetivados nos profissionais, poucos jogadores não estavam acostumados ao Maraca lotado – e quem jogou nele, joga em qualquer lugar. Anos depois, a euforia pela consagração de atletas ou a tristeza pelo fracasso de promessas tão aguardadas.

Um belo dia, inventaram que o gramado ficava desgastado demais com partidas preliminares. O homem aperfeiçoou o avião, o computador, criou o telefone móvel, a TV a cabo, as novas armas de guerra e acreditem: a única coisa que não evoluiu foi a grama dos estádios. Ela piorou. Então podia ter preliminar nos anos 1950, 1960, 1970, 1980, 1990 e… não deu mais.

Os jogos dos juniores passaram a ser disputados em horários alternativos, em dias alternativos e, apesar da farta informação que hoje temos por causa da internet, muito pouco noticiados. Resultado: há uma vida no mundo do futebol que pouquíssimos conhecem, porque é disputada nas sombras. No mínimo, gera a desconfiança de que tal arranjo é proposital: quanto menos forem vistos os jogadores da base, mais fácil é negociar direitos federativos sem que os torcedores exerçam poder de pressão.

@pauloandel

Refletindo sobre o Maracanã (por Paulo-Roberto Andel)

Rio de Janeiro (RJ) 15/12/1963. Futebol - RJ. Campeonato Carioca - 1963. II Turno. Foto de Arquivo / Agência O Globo. Negativo: 31818.

Feito para que o Brasil tivesse um berço esplêndido da conquista de 1950, o Maracanã mal nasceu e já carregava consigo o peso do fracasso, tudo porque a politicagem fez crer que o Mundial já estava assegurado. Mas o abalo com o Mundial conquistado pelo valentes uruguaios teria data de validade.

Menos de quinze anos depois, o Brasil já seria bicampeão do mundo, os clássicos abarrotariam o futuro estádio Mário Filho e este seria uma referência mundial do esporte e dos eventos brasileiros. Do Santos, esquadrão maior da Terra, passando pelo Botafogo de Garrincha e muitos, pela Máquina Tricolor, pelo Flamengo dos anos 1980, o Vasco dos 1990, o Maraca enfrentou dramas e, aos poucos, foi sofrendo intervenções que o descaracterizaram, até se tornar o que é hoje: um elefante branco enrustido.

O Mundial de 2014 passou, as Olimpíadas de 2016 também. Há indícios de que ele passe a ser a casa do Flamengo, como se já não tivesse sido desde o começo, embora não exclusiva. O problema é quando se abre mão dos outros protagonistas cariocas, seja pelo desinteresse deles, seja pelos altos custos, seja por outros fatores.

O Vasco tem o belo e mitológico São Januário, que não comporta sua enorme torcida em momentos culminantes. O Botafogo está satisfeito com o Engenhão, embora tenha conseguido seus últimos grandes públicos na década no Maracanã, por ocasião da disputa da Libertadores. O Fluminense anuncia o terreno para a construção de um novo estádio, sem saber o que fará com o centenário estádio das Laranjeiras, mas também dizendo que “não abrirá mão do Mário Filho”. E o Flamengo, depois de trocentos projetos de arena própria, quer o Maracanã, mas não se furta a disputar jogos em outras praças, contando com seus torcedores país afora.

A redução do Mário Filho atendeu ao projeto concebido por João Havelange à frente da FIFA, e que se espalhou pelos continentes. Novos e modernos estádios, menos público, ingressos majorados e o povo que se vire na TV, porque a elite econômica mantém as arquibancadas. Num primeiro momento, era a viabilidade de lucro máximo do mundo corporativo da bola, com êxito na Europa de capitais próximas umas das outras, com enorme malha férrea e metroviária, mas no Brasil e especificamente no Rio não deu certo: quem sempre encheu o Maraca foi o povão dos trens e ônibus. Era uma programação popular, acessível, que se perdeu. Resumindo: tiraram o povo do estádio, causaram a uma geração inteira a indiferença ao Maracanã, raras vezes a população mais abonada comprou a causa dos jogos e agora ele é um bonecão do posto, descaracterizado, artificial, sem carisma. Curioso que apontem isso como a modernidade: provavelmente nenhum executivo da NFL teria essa mesma visão. Há os que falam que o futebol mudou e é um fato, mas não precisava ser para pior.

Sem a volta do povo que realmente ama o futebol e faz dele uma procissão permanente, o Maracanã está condenado ao ocaso e a ser lembrado apenas como algo da antiga – porque o Flamengo, mesmo com toda a sua força, não terá como preenchê-lo sozinho permanentemente, se for o caso. Com tantos campeonatos, transmissões, internet, notícias fake, redes sociais e concorrência diária, o futebol começa a ser desimportante pelo fastio. Há um excesso de jogos, competições, disputas e tudo isso vai minando o aspecto principal: o interesse do público alvo, o torcedor. Se hoje há uma enorme concorrência entre o futebol e outras formas de lazer, promover e popularizar o espetáculo é fundamental.

O Brasil só se tornou pentacampeão do mundo porque a paixão pelo futebol rompeu barreiras e fronteiras, tendo o Maracanã como seu teatro maior. E se a sua utilização e finalidade não forem revistas, atendendo aos critérios de propagação do esporte e integração social, provavelmente todos veremos um tiro no pé da nossa maior paixão. Mesmo desfigurado e trucidado pelos podres poderes, ele tem boas chances de cura. É preciso trazer o povo de volta, de todas as bandeiras e para ontem, antes que seja tarde e o Maracanã perca sua finalidade essencial, se já não for.

As pessoas estão cansadas das novelas da TV, e o futebol está se tornando uma delas.

@pauloandel

Imagem: ffc

“Maré, maré; jacaré, jacaré!” e outras histórias (da Redação)

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O futebol já foi mais simples, divertido e espirituoso.

Há vinte anos, a sensação do futebol carioca estava nas frases espirituosas do treinador Jair Pereira, daquela vez comandando o Botafogo.

Jair trabalhou em mais de 30 clubes, foi campeão mundial de juniores pela Seleção Brasileira e bem antes disso, brilhou com a camisa do Vasco dentro de campo.

Profissional de respeito, querido por todos, divertido e competente, muito diferente do tom professoral que muito se vê hoje à beira do campo.

CLIQUE AQUI.

O Jornal do Brasil relembrava em 19 de setembro de 1996 os casos curiosos de alguns treinadores brasileiros.

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Moisés, zagueiro de trocentos times, depois treinador (citado na matéria) e uma figura marcante do Rio de Janeiro, ao lado de mitos do futebol como Joel Santana, Brito e o falecido Alcir Portela.

Era o Bloco das Piranhas, famoso em Madureira por receber jogadores de futebol vestidos de mulher no Carnaval.

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Jair Pereira e Moisés jogaram juntos no Bonsucesso. Na imagem abaixo, do livro “Vai dar zebra”, do jornalista José Rezende, Moisés é o quarto em pé da esquerda para a direita. Jair Pereira é o terceiro agachado, do meio.

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Sampa Fla (da Redação)

Na vitória do Flamengo por 2 a 0 sobre o Figueirense neste domingo pela manhã, o grande destaque foi mais uma vez a presença da torcida rubro-negra.

Jogando a 450 km de sua cidade natal, o Fla colocou mais de 28 mil torcedores pagantes no velho e charmoso estádio do Pacaembu.

Imagens gentilmente cedidas por Eduardo Alonso.

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Meio século sem Mário Filho (da Redação)

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Neste sábado, 17 de setembro, completa-se meio século do falecimento de Mário Filho, uma das figuras mais importantes do jornalismo esportivo brasileiro.

CLIQUE AQUI.

Assim noticiou o Jornal do Brasil na referida data.

Colaboração do jornalista Luiz Paulo Silva.

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Mendonça, uma página eterna do Botafogo (por Paulo-Roberto Andel)

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Ele jogou muito, muito e muito, às vezes ao lado de grandes jogadores e, em outras oportunidades, com futebolistas de qualidade discutível. No entanto, sempre brilhou. Num tempo em que seu time passava uma longa época sem conquistas, em várias oportunidades ele personificou a Estrela Solitária: Milton da Costa Mendonça, o Mendonça.

Filho de Mendonça, zagueiro do Bangu que teve a perna quebrada num lance com Didi, em 1951, para se aposentar, Mendonça chegou ao time principal do Botafogo pelas mãos do supertreinador Telê Santana, que o viu nos juvenis e imediatamente o alçou à equipe de profissionais.

Jogou por oito temporadas com a camisa alvinegra, nos tempos da recessão do clube, então mudado de General Severiano para Marechal Hermes. Um camisa 10 clássico, talentoso, especialista em passes e na bola parada. Assim como Heleno de Freitas, não precisou de conquistas para ser uma página eterna do livro dos dias do Botafogo.

Mendonça teve grandes jornadas no tempo em que o Maracanã facilmente recebia mais de cem mil torcedores. Agora, se perguntarem pelo jogo mais marcante, a resposta é inevitável: quartas de final do Campeonato Brasileiro de 1981, com o Botafogo vencendo o Flamengo (que seria campeão mundial meses depois) por 3 a 1. Seu drible no craque Júnior por ocasião do terceiro gol é uma legenda para todos os que acompanhavam o grande futebol brasileiro naquele tempo.

Nos tempos da lasanha (por Paulo-Roberto Andel)

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Há pouco, tive uma pequena e inevitável melancolia que todos os órfãos sentem, sem importar a idade. Coisa das onze da manhã de domingo. Pensei no meu pai, que está irremediavelmente morto há oito anos, e quando eu era um menino cheio de sonhos e de futuro em 1979, com dez anos de idade.

O meu domingo de torcedor mirim era acordar cedo, ouvir o programa do Valdir Vieira no rádio, esperar dar onze da manhã para que a TV Bandeirantes transmitisse alguma partida do campeonato paulista. No intervalo do jogo, geralmente almoçávamos lasanha, frango assado ou bife. Terminado o jogo, entrava no ar o programa Conversa de Arquibancada, apresentado pelo jornalista Hamílton Bastos, com representantes das torcidas dos clubes cariocas discutindo o futebol.

Fim de programa, descíamos para o ponto de ônibus da rua Figueiredo Magalhães, em Copacabana. Vinha o ônibus 434, branco, com uma faixa cor de vinho e a outra, azulada. Então fazíamos o mais charmoso percurso de transporte coletivo da cidade do Rio de Janeiro: Zona Sul, Lapa, Praça XI, Praça da Bandeira e logo ali já se via o cenário dos sonhos – centenas de pessoas caminhando em direção ao estádio do Maracanã.

Rapidamente comprávamos nossos ingressos – quando tinha algum sobrando, meu pai comprava outros para dar aos meninos pobres que ficavam perto da bilheteria pedindo. Vi vários deles chorarem por isso. Passávamos pela apertadíssima roleta e logo a rampa do Maracanã desfraldava o espetáculo – as camisas das torcidas organizadas, em exposição para venda, presas nas colunas de sustentação.

Três da tarde, muita gente em muitos jogos e a preliminar de juvenis, depois denominada de juniores. Os grandes craques do futuro desfilavam a valer no gramado do Maracanã. Eu olhava tudo: o jogo, o campo, as arquibancadas, as bandeiras, os cantos. Era uma experiência multisensorial. Quando surgia uma imensa nuvem dos céus nos abraçando, quando o nosso time entrava em campo, eu já sabia que um grande jogo estava acionado para decolar. Fiquei tão encantado por aquilo tudo que investi boa parte de minhas mesadas, moedas e congêneres vendo partidas e partidas, do time do meu coração e dos demais.

Nem sempre ganhamos. Perder fazia parte do jogo. Mas era bom demais ver o jogo no estádio naqueles tempos. Vinha gente de todos os lados, as pessoas confraternizavam, eu não via batalhas de ódio. É claro que havia problemas, mas o saldo era altamente positivo. E assim foi por anos e anos, por mais de trinta deles, até o dia em que em nome da modernidade, resolveu-se que o Maracanã seria posto abaixo, mantendo sua fachada. E os gols do Fantástico? E a resenha da TVE?

O tempo passou. Os torcedores foram alijados da grade da TV. As preliminares acabaram para preservar o gramado – leia-se ocultar os craques mais jovens e facilitar transações. O rádio perdeu força. Meu pai disse adeus para sempre. Lasanha em família, nunca mais. Nem o 434, que depois virou laranja e agora é cor de prefeitura – com trajeto encurtado.

Quatro da tarde, mudo os canais de futebol no controle remoto. Há muitas opções, nenhuma delas dotada de plena qualidade. O Maracanã morreu: virou um trambolho sem alma. Hoje está fechado.

Acabou de sair um belo gol do Corinthians contra o Santos, disputado na Vila Belmiro. Nos tempos da lasanha, era Morumbi cheio. Agora tem torcida única, vinte mil torcedores em vez de cinco vezes mais.

Os estádios são lindos, corfortáveis, assépticos, diferenciados. Na televisão, ficaram todos iguais. É difícil distinguir um do outro. Só lhes faltam a alma, o charme, o encanto. O narrador acaba de dizer que o futebol é um espetáculo para a família. Tudo bem, mas não seria melhor que fosse para o torcedor?

O meu time é um arsenal de mentiras e falsas promessas. Ainda o amo, torço muito por ele e espero que vença amanhã.

Onde foi que meu domingo acabou?

Tenho um palpite: quando a ganância corporativa engoliu o futebol.

@pauloandel

Mazolinha e Camilo (por Paulo-Roberto Andel)

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Minhas desculpas aos leitores.

Meu objetivo aqui era saudar o golaço fantástico marcado por Camilo, jogador do Botafogo, na tarde de ontem contra o Grêmio.

Cheguei a fazer um rascunho de texto para tal. Basicamente o seguinte:

Só o golaço redime, só o golaço liberta. Foi assim que um dia o futebol brasileiro chegou a ser o melhor do mundo: com golaços. E grandes passes. E dribles estonteantes.

O golaço marcado por Camilo na partida Botafogo x Grêmio é daqueles que não se esquece. Remete aos melhores momentos do nosso esporte predileto, quando eles pipocavam aos montes em todas as rodadas.

Ontem, depois do gol, as redes sociais repercutiram imediatamente a obra de arte. Gente de todas as torcidas. Um sinal claro de que, rivalidades à parte, o torcedor brasileiro tem verdadeira adoração pelo futebol bem jogado, bonito, elegante.

Camilo prestou um enorme serviço ao seu Botafogo e a todos os que, desde sempre, fazem do domingo o dia de suas procissões sagradas da bola.

E começaria a ajustá-lo, quando meu amigo Rafael me mandou há pouco pelo Whatsapp a notícia da morte precoce de Mazolinha, ídolo alvinegro campeão de 1989 e um dos protagonistas da decisão contra o Flamengo e do gol eterno marcado por Maurício.

Sobre aquela noite inesquecível, meu amigo Fagner Torres, jornalista e blogueiro ESPN, tricolor, disse o seguinte no Facebook: “Por conta da notícia, revi os melhores momentos daquela decisão. Valter Senra dando o apito final. Jogadores se jogando ao chão sem saber o que fazer. Torcida ensandecida. Valdir Espinosa chorando. Emil Pinheiro dizendo ao repórter que podia morrer a partir dali. Eu era muito moleque, mas tenho flashes de ter visto o jogo na TV, acho que na Manchete. E o empurrão do Maurício no Leonardo é a cereja do bolo. Coisas que só o futebol do Rio de Janeiro era capaz de nos proporcionar.”

E repliquei: “Cara, um dia eu farei um conto sobre tudo o que vi naquele dia. Eu estava do lado do estádio a uma hora da partida. Fui embora para economizar grana, achando que a decisão acabasse adiada para domingo. Vi o jogo em casa. Nos minutos finais da partida,eu e meus pais, todos tricolores, choramos. O tempo todo víamos pessoas chorando. No dia seguinte, de manhã, eu fui para a UERJ, ao chegar em Botafogo, no viaduto, vi uma das cenas de futebol mais bonitas de toda a minha vida: centenas de botafoguenses deitados no gramado, no asfalto (também do viaduto), pessoas chorando, gritando, rolando no chão às seis e quinze da manhã. Uma cena que só superei quando vi o gol de barriga na arquibancada. Eu tenho saudade demais daqueles anos, das pessoas e daquele futebol. Eu tenho saudades do Maracanã e de ir com amigos só para secar o Flamengo de zoação. É duro olhar para trás e ver que o melhor já passou. Aquele foi o dia do Botafogo, mas pode ter certeza: o Rio de Janeiro quase todo veio abaixo.”

Zeh Augusto Catalano, também cronista deste PANORAMA, comentou em seguida. O jornalista Expedito Paz, idem. O primeiro, vascaíno. O segundo, santista. Fagner e eu, tricolores. Rafael, que deu a notícia, rubro-negro.

Poderia falar muitas coisas a respeito, mas o simples fato da interação entre tantos torcedores de clubes diferentes mostra o que é a memória de futebol, daquele futebol que estava outro dia aí mesmo, coisa de trinta ou vinte e cinco anos atrás.

Bastou dizer “Mazolinha” e todo mundo já soube de quem se tratava.

Morreu jovem e de forma inesperada. Ficou pobre. Teve uma carreira errante. Mas, naquele dia da grande final entre Botafogo e Flamengo, com o time de General Severiano há 21 anos sem títulos, ele foi um dos protagonistas de um grande dia da história do Rio de Janeiro e do Brasil. Eu tinha 21 anos de idade, estou perto dos 50 e me lembro daquilo como se fosse ontem: Zico, substituído, descendo a escada do túnel do Maracanã, a jogada pela esquerda e um gol que emocionou milhões de torcedores país afora, do Botafogo e de vários times. Um deles está aqui escrevendo.

Naquela noite, eu olhei para o rival como um amigo querido, um fraterno irmão. E essa é a minha dor: onde está aquele amor, aquele humor, aquele Maracanã?

Ao Mazolinha, meu muito obrigado. E também ao Camilo, que fez um gol tão bonito ontem a ponto de me fazer voltar à infância, quando esperávamos a TV para vermos os grandes gols, dos nossos times e dos outros.

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Há coisas que só acontecem ao Botafogo, tais como a estrela solitária que navega pelas glórias na Via Láctea.

Joãozinho, um craque celeste (por Paulo-Roberto Andel)

Joãozinho, do Cruzeiro, disputando lance com jogador do River Plate, durante o último jogo da final da Taça Libertadores da América de Futebol, no Estádio Nacional.

Ele foi um dos maiores jogadores da história do Cruzeiro, e marcou época no futebol brasileiro ao lado de outros craques da ponta esquerda entre a segunda metade dos anos 1970 e a primeira dos 1980 – uma posição que incrivelmente não existe mais – como Zé Sérgio, Zezé, João Paulo, Julio César “Uri Geller”, Ziza e Éder, entre outros.

João Soares de Almeida Filho, o Joãozinho, nascido em Belo Horizonte, 15 de fevereiro de 1954)

Disputou 482 jogos com a camisa celeste entre 1973 e 1982, sendo o oitavo jogador que mais a vestiu na história. Marcou 116 gols e é o décimo primeiro maior artilheiro da história do clube. Foi dele o gol que levou o Cruzeiro ao título da Copa Libertadores da América em 1976.

Colaborou Bruno Steinberg – FTT

Alegria em dia de golpe (da Redação)

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Em 31 de março de 1964, o Jornal do Brasil noticiava que as equipes do America e do Bonsucesso estavam em ritmo europeu: o primeiro, às vésperas de embarcar para a então Tchecoslováquia, enquanto o segundo tinha 30 partidas amistosas para jogar em gramados da Europa, Oriente Médio e África.

Vejam a contradição dos números: por cada partida disputada, o Bonsuça levaria 500 dólares. Já o Mecão cogitava contratar o atacante Paulo Leão por 20 milhões de cruzeiros.

 

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As coisas não andavam muito fáceis pelo Brasil e pelo mundo, de modo que o America só viajaria no dia 13 de abril. Madureira e Vitória também marcariam presença no exterior.

 

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O tiro de meta (por Paulo-Roberto Andel)

 

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Fiquei observando a televisão de forma ocasional.

Era um jogo de bola, desses de garotos pelos quais ninguém dá nada ainda e, quando ninguém espera, oferece jogadores para ainda manter viva a chama do nosso futebol, tão combalido nos dias atuais.

Jogo num estádio do interior, transmitido pela rede pública, reprisado numa madrugada, João Gilberto tocando no CD player e a partida correndo enquanto eu também lia jornais.

Interrompi a leitura por instantes, fitei a tela e me deparei com um tiro de meta.

Não era uma jogada qualquer, era um tiro de meta.

No instante, o único ser vivo na tela focada a grande distância era o goleiro, um solitário goleiro com a responsabilidade de reconduzir o jogo carente de torcedores, repórteres e outros participantes – imagem que permaneceu por muitos segundos, dado um bloqueio momentâneo na transmissão.

Eis que a televisão me pareceu como um grande quadro, uma monumental aquarela, com aquele solitário menino estático a observar a bola e pensar em como iria chutá-la, para onde e com que força, tudo cercado pelo silêncio que só a voz de João é capaz de fazer ecoar.

Mais segundos, mais silêncio e a brutal solidão do goleiro na tela, como se ninguém mais estivesse no estádio a apreciar sua intenção, exceto eu.

Quando se pensa em futebol, é certo que muitos imaginam o grande gol, a jogada mirabolante, o passe apurado, o domínio com categoria, o drama do pênalti.

O tiro de meta, meus amigos, é um importante momento marginalizado: é difícil a sua consecução terminar em algum dos lances anteriormente descritos. Entretanto, não sei se pelas substâncias e solidão a mais ou alegria de menos, fiquei a contemplar aquela imagem congelada como um princípio de esperança – era um tiro de meta, amigos.

Naquele tiro, naquela cobrança, era possível identificar até um cotidiano de nossas vidas: depois do tiro de meta, após um interrupção, que o jogo recomeça.

Mais substâncias, tracei em minha confusa memória uma relação com minha própria vida, machucada por revezes que deveriam sair por uma imaginária linha de fundo, representados por uma bola.

A vida, amigos, ávida por si própria, voltaria após breve intervalo a ser vivida tão logo fosse trocada a bola por outra e a devida reposição pelo tiro de meta seria um recobrar de ânimo, um renascer das cinzas, um poente a abafar a tempestade – talvez seja este o significado da expressão popular “bola pra frente”, não advinda de um lançamento primoroso, mas sim do desprezado e esquecido tiro de meta.

Talvez daí seja a razão do futebol ser tão apaixonante e cobiçado por gente de todo o mundo: podemos encontrar relações diretas com nosso viver através da vida e morte do jogo.

A derrota pelo gol sofrido e a alegria pelo tento marcado; a beleza da jogada articulada e a besteira da bola perdida; a pressão que não derrota através do chute que vai pela linha de fundo e o recomeçar pelo especial tiro de meta, somente ele.

É preciso entender a força, o vigor e a esperança que um tiro de meta é capaz de mostrar.

É preciso notar a perspectiva que um tiro de meta pode trazer a um jogo de bola, tão preciso quanto um recomeçar na vida depois de uma derrota circunstancial.

Quando a imagem voltou, o goleiro continuou solitário; desferiu o chute e a bola foi para o meio de campo, com vários jovens a disputá-la numa outra imagem.

O estádio continuava vazio e é possível que eu fosse um dos poucos telespectadores.

Depois do revés, o jogo recomeçou tal qual cada vida faz e fará após um desânimo marcante porém passageiro, efêmero feito uma nova bola num canto de linhas de cal.

(Publicada originalmente em 19/05/2006)

Geneton: Dossiê 50 (da Redação)

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Geneton Moraes Neto, um dos maiores jornalistas brasileiros de todos os tempos, saiu de cena nesta segunda feira, aos 60 anos de idade. Muito antes do justo e razoável.

Foi um dos maiores desbravadores daquilo que se convencionou ser um dos temas mais “malditos” da história do futebol brasileiro: a Copa de 1950, com sua final trágica, destruindo carreiras e reputações para sempre por motivos exagerados.

Graças a Geneton, pudemos olhar para trás e tentar entender melhor o que foi a estupidez tão covarde em massacrar midiaticamente os jogadores da Seleção – vários morreram na miséria.

O documentário abaixo foi realizado com base no livro “Dossiê 50”.

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Conversando com JH (da Redação)

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João Havelange, um dos maiores dirigentes esportivos da história, faleceu hoje aos 100 anos de idade.

Com o devido respeito e as condolências, esta postagem revela alguns dos muitos aspectos da personalidade de JH, por meio do documentário “Conversando com JH”.

O filme conta o que há por trás da realização de uma biografia, a partir da relação de biógrafo e biografado. “Conversa com JH” conta a experiência de João Havelange e Ernesto Rodrigues durante a produção do livro “Jogo Duro – A história de João Havelange” (Editora Record, 2007).

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Os muitos conflitos e obstáculos enfrentados que lidam com a apropriação da história de uma outra pessoa e como ela vê a si mesma no mundo.

A biografia, lançada em 2007, contou com mais de 140 entrevistas de profissionais do futebol, de todos os países do mundo.

Os conflitos culminam ao ponto que Ernesto cumpre seu compromisso de mostrar os originais para o ex-presidente da Fifa.

 

 

 

O grande legado olímpico (por Paulo-Roberto Andel)

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Definitivamente, a herança maior que os Jogos do Rio 2016 podem deixar para o Brasil não tratam exatamente de equipamentos, recursos e outros bens de consumo, públicos ou não.

Está em algo que parecia perdido no tempo.

A fidalguia.

Houve quem reclamasse – com razão – das torcidas em esportes que não têm os costumes do nosso football, que transformamos em futebol para o muito bem e o muito mal.

Mas a maioria está em paz, reconhecendo que também há valor numa medalha de bronze. Até mesmo sem o desejado pódio. Em práticas desportivas muitas vezes ignoradas pelos clubes e pelo Estado Brasileiro, como não valorizar um sexto ou oitavo lugar? É estar entre os maiores do planeta.

Há um detalhe que ajuda a perceber tudo: reparem, por exemplo, nas emocionadas comemorações dos atletas brasileiros em diversos momentos, bem diferentes do nosso futebol. Quando finalmente fizemos gols nas Olimpíadas, o alívio veio através de chutes, palavrões e ira. Muita ira.

Para alguns, demonstração de garra e vontade. Para outros, a carência de senso esportivo que ainda vitimiza um povo marcado por bruscas transformações sociais, econômicas e afetivas.

E por falar em afeto, o show de luta contra a homofobia, tão visto nestes dias de disputa, é mais uma lição dos Jogos ao nosso esporte mais querido, falado e divulgado, marcado permanentemente por armários de ferro trancados com correntes, contrariando o óbvio ululante, como diria Nelson Rodrigues.

É claro que ninguém treina anos a fio para perder e que a História é sempre mais destacada pelos vencedores, mas a vida não pode ser apenas o “perdeu, sai” instantâneo que se vê, por exemplo, na quantidade de treinadores demitidos a cada edição do Brasileirão.

Se os Jogos Olímpicos do Rio não foram capazes de transformar a Cidade Maravilhosa numa terra de paz, o que sabíamos ser quase impossível, é inegável que sua presença nos serve como uma verdadeira universidade de respeito a outros valores, ao harmonioso viver entre divergências, à diversidade em todas as instâncias.

Viver o respeito. Entender que o esporte é mais do que um jogo. Que não ser campeão não é vergonha, mas pode ser símbolo de reconhecimento, dependendo do que tenha sido feito – e como.

Eis aí um mar de lições para jogadores, torcedores, profissionais do futebol e seus “abnegados” dirigentes pendurados em vultosos grupos políticos de ocasião.

O espírito olímpico tem muito a ensinar ao país das chuteiras. Basta querer entender.

Olhar as comemorações dos gols da Seleção de Futebol e compará-las com as de Pelé já seria um exercício de franca humildade.

@pauloandel

O quê? Virou casaca? (por Paulo-Roberto Andel)

No Brasil, o ato de “virar casaca”, involuntariamente ou não – até mesmo por causas nobres, homenagem a amigos, ações comunitárias e filantrópicas – é condenado como se estivesse previsto no Código Penal.

Também vale para jogadores muito identificados com um clube e que passam a atual num rival, ou mesmo um clube de outro estado, e enfrentam a antiga casa.

Mas será que é possível realmente identificar os personagens abaixo pelas camisas que vestem/mostram nas imagens, às vezes de forma pontual e única?

Parece claro que não.

1)  Zico

zico camisa do vasco

2) Pedro Bial, supertricolor (homenageando Armando Nogueira)

bial botafogo

3) Pelé no Fluminense

pelé camisa do fluminense

4) O Rei do Futebol no Flamengo

pelé camisa do flamengo

5) O mito botafoguense Garrincha

garrincha camisa do flamengo

6) Tita, criado na Gávea e com passagem por diversos clubes brasileiros

tita

7) Roberto Dinamite, símbolo vascaíno

dinamite portuguesa

8) O cantor Fagner, que já foi Ceará, Fortaleza, Fluminense etc

fagner internacional

9) O cantor botafoguense Agnaldo Timóteo, também um torcedor firme do América

timoteo america mineiro

10) Nunes, intimamente vinculado ao Flamengo

nunes fluminense

11) Biro-Biro, eterno ídolo da Fiel

biro biro portuguesa

12) Casagrande, marca registrada do Corinthians

casagrande flamengo

13) Serginho Chulapa, muito ligado ao Santos e com passagem marcante pelo Sâo Paulo

serginho chulapa corinthians

14) Adílio, o “cobra criada” da Gávea, apelidado pelo locutor Waldyr Amaral

Adílio coritiba

Na grande área: Armando Nogueira 1966 (da Redação)

armando nogueira 1966

Em 08 de agosto de 1966, um dos decanos da crônica esportiva no Brasil publicava uma coluna que ainda serve de reflexão para o nosso futebol.

armando nogueira 08 08 1966

Reprodução do Jornal do Brasil sem finalidade lucrativa.

A Seleção nas Olimpíadas

ROMA, 1960

seleção brasileira 1960 olimpiadas

Elenco:

1 Roberto Branco • 2 Carlos Alberto • 3 China • 4 Chiquinho • 5 Dary • 6 Décio • 7 Edmar • 8 Gérson • 9 Gil • 10 Jonas • 11 Macarrão • 12 Alvaro Jurandis • 13 Maranhão • 14 Nonô • 15 Paulinho Ferreira • 16 Roberto Dias • 17 Rubens • 18 Valdir • 19 Wanderley • Treinador: Vicente Feola

MUNIQUE, 1972

SELEÇÃO BRASILEIRA OLIMPIADAS 1972

Alguns jogadores que fizeram parte do elenco da Seleção Brasileira que disputou os Jogos de 1972: Nielsen, Terezo, Abel Braga, Osmar, Celso, Bolívar, Falcão, Rubens Galaxe, Pedrinho, Washington, Zé Carlos, Manoel, Roberto Dinamite e Dirceu

LOS ANGELES, 1984

SELEÇÃO BRASILEIRA FUTEBOL OLIMPIADAS 1984

seleção brasileira 1984 olimpiadas ELENCO

Raimundo Fagner e o futebol (da Redação)

Em 2012, Raimundo Fagner, um dos grandes artistas da MPB, concedeu entrevista ao site Portal da Copa, recordando duas histórias com o mundo do futebol: amigos, convivências, e lembranças da amizade com jogadores como Zico e o falecido Geraldo.

fagner raimundo futebol

Um povo sem Maracanã (por Paulo-Roberto Andel)

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Mais um domingo de futebol no Brasil.

Sem o estádio que ocupou o lugar do Maracanã.

Ok, por conta das Olimpíadas. Desta vez.

Antes de ter sido assassinado em 2010 para dar vez à uma arena goumetizada, o Maracanã já tinha penado com reformas sucessivas em nome da modernidade. A primeira, benéfica, elevou a altura do piso da geral entre 1984 e 1985. A segunda, por conta do trágico acidente na final do campeonato brasileiro de 1992.

Depois, tome 2000, 2005 e, finalmente em 2010, o falecimento em nome da Copa do Mundo de 2014, cujo final para nós é desnecessário de lembrança.

As outras mexeram com várias estruturas, mas nada se comparou a esta última, que não se limitou a uma obra devastadora, mas também gerou danos sociais que parecem irreversíveis.

O povão que ocupou o velho Mário Filho por 60 anos foi varrido de vez. De acordo com uma “tendência mundial”, o monumental estádio foi destruído, dando vez a um substituto menor, completamente desprovido de alma e carisma, incapaz de tirar seu novo público-alvo dos Village Malls da vida, com os torcedores mais humildes – o grosso histórico do grande público médio presente antes – definitivamente alijados para bares, biroscas perto de casa ou a popular gatonet.

Resultado? Com exceção da Copa do Mundo, a nova arena jamais teve sua lotação esgotada, perdeu o posto de palco dos clássicos abarrotados, tornou-se um elefante branco na prática e agora depende de providências da prefeitura do Rio para sua reinvenção. Ah, mas é uma tendência mundial! Com o nosso país do tamanho de um continente, havia outras alternativas.

Estamos em 2016. Metade do tempo da década atual teve o Maracanã fechado. Crianças já cresceram sem o costume de ir ao estádio – e, talvez por isso também, muitas usam tanto as camisas de Barcelona, Real Madrid, PSG e outras grandes equipes europeias. Adultos perderam o costume de frequentar o futebol no campo. Para muitos torcedores dos grandes clubes cariocas, a referência de futebol passou a ser uma distância: a outra cidade, o outro Estado.

Silenciosamente, vivemos fora dos gramados a mesma crise dentro dele: basta ver quantas vezes nos últimos anos o Rio teve redução dos participantes na primeira divisão do futebol brasileiro.

Segundo especialistas, é uma tendência mundial.

Resta saber então porque os estádios alemães, ingleses, franceses, portugueses e até estadunidenses têm casa cheia enquanto os nossos, salvo raras exceções, estão à míngua.

A se manter o cenário atual, no futuro nenhum estádio nosso precisará de arquibancadas, porque não teremos público presente e todos se esbaldarão em frente à TV ou computador para ver mais um capítulo da eterna novela da bola, sem final feliz.

Hoje é mais um domingo sem Maracanã. Os torcedores do mundo corporativo desdenham da ausência: “Daqui a pouco ele volta”. A realidade parece outra: distância, indiferença e a perda de nossa principal casa do povo carioca, trocada pela força da grana que ergue e destrói coisas belas, incapaz de é para entender o que significa a alma, o espírito do futebol no Rio de Janeiro e no Brasil.

@pauloandel

Cadê Jesus? (por Zeh Augusto Catalano)

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Fim de jogo ontem, Fluminense 2 x 0 Cruzeiro em Edson Passos, na Baixada Fluminense.

A repórter aborda o goleiro Fábio, do Cruzeiro, que acabava de completar 700 jogos pelo time mineiro justamente na derrota para o Flu.

A pergunta foi um pedido de explicações sobre a péssima atuação de seu time.

Fábio não soube explicar. Falou por dois minutos sem dizer nada de muito coerente.

Nem uma única letra sobre deus (assim mesmo, com letra minúscula).

Quando das vitórias, Fabio é um desses jogadores que dizem que foi tudo para glória de Jesus. “Jesus nos abençoou e ganhamos a partida”. Curiosamente, na hora das derrotas, Jesus é esquecido. Será que o time do Cruzeiro anda pecando? Será que não é “em nome de Jesus” que o time adversário tenha jogado infinitamente melhor que seu time e vencido, sem senões, a partida? Deus só vence?

O que acontece, então, quando dois times “ungidos pela fé” se encontram? Só o que vence glorifica de joelhos? E se empatar?

Aqui, no Panorama, temos representantes de todas as religiões. E da falta delas também. Umbandistas, evangélicos, ateus. Eu sou católico. E digo, com orgulho, que não faço orações pedindo vitórias, gols ou sucesso em uma disputa de pênaltis. Tenho vergonha de pedir pra Deus que uma bola entre quando tem gente passando fome pertinho de onde vejo confortavelmente um jogo de futebol. E mesmo que eu rezasse, do outro lado do campo, teríamos um bando de gente rezando pro outro lado. Isso não significa que eu desmereça quem reze. De forma alguma. Me irrita é ver jogador de futebol ganhar milhares de reais na realidade em que vivemos e só lembrar d’Ele nas horas boas.

Imaginem o pobre Deus, no conforto do seu céu, olimpo ou seja lá como a sua religião chame a Sua casa, num dia de Fla-Flu. Milhões de cidadãos acendendo velas, fazendo despachos, orações, oferendas, pagando dízimo, fazendo promessas.

Aí um dos lados vence e os vencedores louvam a Deus – como se Ele fosse o autor dos gols ou das pixotadas que conduziram os números do placar – e os perdedores… O ignoram!

Fábio, por que você não glorificou a Deus na derrota? Será que, no futebol, só a vitória é de Jesus?

Parece piada, mas não é. Quando só menciona a religião nas vitórias, o goleiro (que é o exemplo da vez, mas poderia ser qualquer jogador, inclusive algum do Fluminense ou de qualquer time do futebol brasileiro) deprecia a própria profissão e o esforço de todos os profissionais que o cercam e que trabalham para que o time ganhe. Deus pode influência nos resultados e mover montanhas, mas sem treino, dedicação, vontade firme e – suponho seja o caso – confiança e obediência ao técnico e líder, a bola não vai entrar e o time não vai ganhar.

Deus ajuda quem cedo madruga. E treina, e se dedica, e luta. O time pode até perder, mas, se for dedicado, o torcedor dará apoio.

Parece que o Fluminense rezou muito neste domingo. Daí graças!

Imagem: globoesporte

Sobre o clássico na Ilha do Governador (por Thiago Constantino)

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Enfim, o grande e esperado retorno do futebol aos palcos da Cidade Maravilhosa.

Sofrimento 1 – O eterno desrespeito

Mas peraí? Sábado à tarde? Bom, meu primeiro sofrimento já começa por aí. A insensibilidade de dirigentes, CBF e TV de organizar um clássico dessa magnitude no sábado. Nada mais tradicional do que uma cidade inteira acordando em clima de clássico naquele domingão, e a bola rolando após aquele belo almoço em família. Bom, deixa isso pra lá, pois é um papo que dá para a gente continuar a eternidade discutindo…Futebol, CBF, Clubes, TV, horários, blá, blá, blá.

Vamos ao segundo sofrimento? Desde que anunciaram a Arena Botafogo na Portuguesa, eu fiquei bem animado. Me considero sócio-morador (risos): minha casa fica a 20 passos do clube/estádio, fui criado lá dentro e tudo o que sei na prática sobre futebol desenvolvi na Lusa. Minha habilidade razoável me rendeu algumas medalhas como peladeiro-criança.

Só que o destino está sempre nos pregando peças. Desde o ido ano de 2005, com a finada Arena Petrobrás, os grandes clubes não jogavam aqui. Mas era hora de retomar o protagonismo do futebol carioca. E lá vem a inauguração da nova Arena e o primeiro jogo vai ser… Botafogo x Flamengo. Putz, euforia e tristeza ao mesmo tempo. Como flamenguista, sabia que seria impossível comprar os 1.500 ingressos disponibilizados. E minha teoria foi confirmada quando a diretoria do clube colocou-os à venda apenas a sócios. Ué, mas não vai ter torcida mista? É com muita tristeza que digo que nós, brasileiros, ainda não chegamos a esse nível de educação. E a polícia, ciente disso, corrobora o atestado de incompetência do povo brasileiro.

 

Sofrimento 2 – O Infiltrado

Bom. E agora, o que fazer?

Em um mix de saudades do Flamengo e euforia pelo jogo na porta de casa. E, apesar de minha sogra quase arrancar os cabelos de medo, respirei fundo e decidi: vou comprar ingresso na torcida do Botafogo! Para minimizar o risco, me infiltrei no covil do “inimigo” pela parte social do clube. Mas vou te dizer, R$ 100,00 pelo ingresso nesse momento de crise do país e para um esporte considerado popular…êta mundo cão!

Ao entrar no clube, uma emoção única: meu estádio de infância todo bonitinho e arrumadinho. Passada a primeira emoção, a missão era, óbvio, encontrar algum amigo flamenguista também infiltrado. E não tardou muito para isso. Mas como “copiar” o comportamento da torcida adversária sem deixar a emoção pelo Flamengo transparecer? Missão difícil, mas não impossível. Nada que uma dose de sangue frio e muita tremedeira interna não resolvesse. O fato é que, se eu e meu amigo conseguimos passar pelos 90 minutos ileso, mesmo levantando os braços timidamente nos gols do Botafogo, alguns outros flamenguistas não tiveram tanto êxito. Antes de rolar a bola, um foi descoberto e conduzido pela segurança não sei para onde, ao coro hostil de Via… Filho da P… e uma sonora vaia. No primeiro gol do Fla, outro foi visto comemorando. Emoção e diversão garantidas.

PS: Um elogio sincero à diretoria do Botafogo. A organização foi quase impecável, apesar do “migué” em dizer um dia antes do jogo que os ingressos estavam esgotados. A Arena tem o espaço de 17 mil lugares e 15 mil foram liberados para o clássico, sendo que a torcida do Flamengo ficou com 10%. Com 11.600 presentes, foi fácil perceber vários clarões na torcida do Botafogo.

Torcedor botafoguense, pode chegar e veja se lota a Arena, pô! O futebol carioca merece e seu time precisa do seu apoio.

Aí vai um vídeo interessante sobre o Estádio, apesar do louco dizendo que a Ilha do Governador é distante, mais afastado do Rio de Janeiro. De onde esse cara saiu? De Marte? Só podia ser botafoguense mesmo. Brincadeira.

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Sofrimento 3 – O nível técnico

Vamos falar do jogo? Na hora da bola rolar, vi o técnico da seleção Tite e seu auxiliar Edu Gaspar nas cabines e a pergunta foi “O que esse louco fazia aqui?”. Ele mesmo disse em entrevista, que não veio necessariamente assistir ao jogo e que também tem conversado com os técnicos dos clubes, fazendo uma espécie de troca de experiências. Bom, se foi para isso, ok. Porque em campo, lamentavelmente é nítida a carência de nível técnico no Brasil de hoje. O gramado ainda está ralo e, por isso, duro e fazendo a bola quicar de forma irregular – dos seis gols do jogo, pelo menos quatro foram em falhas individuais bisonhas. O nível técnico foi sofrível, com destaque apenas para o Camilo pela técnica e os estrangeiros Salgueiro e Canales mais, do lado do Fla, William Arão pela movimentação e Mancuello pela visão de jogo (parece uma tartaruga esse menino!). E foi só.

O primeiro tempo foi horroroso e a segunda parte da pelada só foi mais agradável pelos gols e pela alegria da torcida botafoguense com o empate. Teve até gente chorando de emoção, bem ao meu lado.

O Flamengo batia o Botafogo facilmente, por conta dos erros individuais em excesso da equipe alvinegra. Mas o tio Zé “Ricardiola” quando faz um gol bota os onze atrás. Imagine quando está com dois gols à frente no placar. Colocou quatro cabeças de área e o aguerrido time do Botafogo conseguiu o empate. E tem gente que ainda chamava papai Joel Santana de retranqueiro. Sabe de nada, inocente…

É isso aí, pessoal. Ricardo Gomes tentando fazer milagre e tirar o Botafogo do sufoco, acho que os estrangeiros podem ajudar bastante e o Flamengo continuando a namorar o G4, mas olhando com frieza, este amor está mais para Platônico ou Crush, como chama a galera da nova geração. (Vejam esse vídeo, achei muito engraçado!)

Ah, esqueci. A saída foi muito tranquila e com mais 20 passos estava de volta ao espírito rubro-negro, dentro do meu sacrossanto lar.

Imagem: globoesporte

Brasil 1966, há exatos 50 anos

Em 13 de julho de 1966, o Jornal do Brasil noticiava a preocupação dos húngaros com a possível evolução da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da Inglaterra, depois de estrear na véspera com uma vitória sobre a Bulgária por 2 a 0, com gols de Pelé e Garrincha.

Tudo seria diferente das preocupações húngaras dois dias depois: Hungria 3 x 1 Brasil e o encaminhamento para aquela que, desde então, foi a pior participação do escrete canarinho numa Copa, com a eliminação na primeira fase da competição. Eram claros os reflexos de tudo o que acontecia no país em termos políticos, com claros reflexos em nosso futebol.

Em tempos em que o jornalismo anda rareando, era um verdadeiro luxo a escalação dos correspondentes internacionais do JB na Inglaterra: José Inácio Werneck, João Máximo, Oldemário Touguinhó e grande elenco. Outras palavras.

BRASIL 1966 HUNGRIA

Uma breve história da Eurocopa (da Redação)

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Neste domingo, ao derrotar a França, Portugal se tornou o décimo país a conquistar o título da Eurocopa.

A primeira edição do torneio foi disputada em 1960, com o triunfo da União Soviética.

Os países com maior número de títulos são Alemanha (1972, 1980 e 1996) e Espanha (1964, 2008 e 2012).

A França ostenta dois títulos (1984 e 2000).

Portugal já havia disputado a final da Eurocopa em 2004,  perdendo o título por 1 a 0 para a Grécia.

A lista de todos os campeões é a seguinte:

1960 – União Soviética
1964 – Espanha
1968 – Itália
1972 – Alemanha
1976 – Tchecoslováquia
1980 – Alemanha
1984 – França
1988 – Holanda
1992 – Dinamarca
1996 – Alemanha
2000 – França
2004 – Grécia
2008 – Espanha
2012 – Espanha
2016 – Portugal

A lista traz algumas curiosidades. Por exemplo, a recente supremacia ibérica na competição. Os brilhos efêmeros da Dinarmarca em 1992 (que entrou como convidada no lugar da Iugoslávia, envolvida em terrível guerra) e da Grécia em 2004.

De todas as seleções campeãs, as que se destacaram nas Copas do Mundo disputadas imediatamente a seguir foram a Itália vice-campeã em 1970, a Alemanha campeã em 1974 e vice-campeã em 1982, mais a Espanha campeã em 2010.

Tivesse começado dez anos antes, talvez a Eurocopa testemunhasse o vigor da belíssima Hungria dos anos 1950. Não deu. Uma pena.

Imagem: Michel Dalder/Reuters

 

Os sete a um, dois anos depois

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O futebol produz momentos inesquecíveis. Qualquer apaixonado por futebol guarda em sua memória e coração partidas épicas, atuações brilhantes. A virada da Mercosul em 2000 para os vascaínos, por exemplo. Um segundo tempo perfeito.

Ou lances únicos. Aquele instante eterno.

Gol do Cocada em 1988.

Para quem não se lembra, foi uma partida modorrenta, cujo empate persistente daria o título carioca ao Vasco. O chute do Cocada a pôs na história. A comemoração, a expulsão, a posterior pancadaria entre Romário e Renato. O jogo se resume àquele lance e tudo mais decorreu daquele fato.

Os eternos sete a um destoam das duas descrições anteriores. São talvez os oito minutos (cinco minutos entre a marcação dos quatro gols) mais inexplicáveis da história do futebol. Um time recheado de estrelas (Júlio César; Maicon, David Luiz, Dante e Marcelo; Luiz Gustavo, Fernandinho, Bernard, Hulk e Oscar; Fred.) comandado por Felipão, o último técnico brasileiro a levantar o mundial, que desmoronou como um castelo de cartas.

Não houve uma única tentativa de esfriar os alemães, mudar o ritmo do jogo, nada. Por três inacreditáveis vezes a bola la foi posta no centro do campo e o Brasil deu a saída para levar outro gol. Fosse boxe, o técnico teria jogado a toalha e interrompido ali o vexame.

Dia 19 de junho passado, o México levou de 7 a 0 do Chile, na semifinal da Copa América, jogando “em casa”. A partida foi disputada nos Estados Unidos, num estádio apinhado de mexicanos que acreditavam piamente numa final contra os favoritos argentinos – os únicos a não passar vexame, como Brasil e Uruguai, eliminados na primeira fase por respectivamente Peru e Venezuela. O México tomou cinco gols no segundo tempo, mas eles não foram frutos de uma hecatombe instantânea e coletiva.

Costumo assistir os jogos na sala de casa. Quando o Brasil tomou o segundo gol, fui até a copa pegar água. Enchi o copo, parei na frente da TV. Gol. Sentei-me e fiquei ali, pasmo, vendo aquilo.

Lembro mais dos rostos dos jogadores e técnico do que dos lances em si. Fred, David Luiz, Dante. Julio Cesar. Tão pasmos quanto eu. Homens com vasta experiência internacional. Alguns campeões do mundo por clubes e por seus países.

Não se pode dizer que a seleção era mal-treinada. Ela não era treinada. Numa época de poucos talentos, o comando de Felipão era uma mistura de Família Scolari com um “pra frente Brasil” que já havia dado sinais claros de instabilidade na trave de Pinilla, no último minuto de uma prorrogação contra o Chile. A sorte mais uma vez havia sorrido para nós. Os dois primeiros jogos eliminatórios foram contra Chile e Colômbia, fregueses contumazes. Ainda assim, o Chile só ficou pra trás nos pênaltis. Então, na base da “fé”, chegamos à semifinal, a dois jogos do sonho de manter a Copa do Mundo por aqui.

Muitos anos ainda passarão até a redenção do futebol brasileiro. Até lá, convém lembrar bem daqueles minutos inacreditáveis.

Fraude no futebol paulista (da Redação)

FRAUDE NO FUTEBOL PAULISTA

“Sete pessoas foram presas em operação da Polícia Civil que investiga fraudes em resultados de jogos de futebol na manhã desta quarta-feira (6) em São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. Entre os presos, está Carlos Luna, ex-goleiro do América de São José do Rio Preto, no interior paulista. Além de Luna, outros alvos da operação foram presos em Bauru, interior do estado de São Paulo, uma capital paulista, e um em Fortaleza, Ceará. Ainda há ao menos mais três mandados de prisão a serem cumpridos. Equipes também fazem buscas no Rio de Janeiro.”, informou o portal G1.

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